Obra da barragem de Pedreira se rompe e estrada que liga distrito de Campinas fica interditada

.Por Cida Oliveira.

Em obras, a barragem de Pedreira, na região de Campinas (SP), não suportou a forte chuva que caiu por cerca de 20 minutos na noite deste sábado (30). Sem um sistema de drenagem adequado, a grande quantidade de água do rio Jaguari, que está sendo desviado pelo projeto, avançou sobre o eixo da barragem.

(foto de vídeo – facebook)

Trata-se de uma estrada provisória atravessando o rio para circulação dos maquinários, onde foram colocadas algumas manilhas para manter a vazão do rio.

Na estrada que liga Pedreira ao distrito de Sousas, formou-se um lago, impedindo a passagem de veículos e atrapalhando a vida de quem precisa trafegar pelo local. Para acessar um hospital, por exemplo, o caminho ficou cerca de 12 quilômetros mais longo.

De acordo com integrantes do Movimento Barragem NÃO, engenheiros a serviço do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), ligado ao governo do estado de São Paulo e responsável pela obra, só começaram a chegar por volta da hora do almoço. A reportagem tentou, sem sucesso, contato com a assessoria de imprensa do órgão.

“Com a chuva de ontem, essas manilhas não deram conta de tanta água em pouco tempo. Se a empresa contratada pelo DAEE para fazer a barragem, a BP, não conseguiu projetar uma simples estrada, será que essa estrutura de 52 m de altura, para represar 32 milhões de metros cúbicos, feita de terra socada acima da cidade, será capaz de resistir a uma temporada de chuvas fortes?”, questiona um dos moradores, que pediu para se manter no anonimato.

Sem plano emergencial

Segundo outro morador de Pedreira, que também preferiu não ser identificado, o “Ministério Público de São Paulo se acovardou e prevaricou, permitindo o avanço dessa obra mesmo sem a apresentação, até hoje, de um Plano de Ação Emergencial. Nossa cidade foi condenada a ser área de risco permanente”.

No começo de abril, o diretor técnico do DAEE, Genivaldo Maximiliano de Aguiar afirmou aos vereadores de Pedreira que até o final daquele mês seria um plano preliminar de segurança e emergência da barragem. O prazo foi alterado para julho e até agora não foi cumprido.

“E nem vão apresentar. Não existe plano emergencial, porque nada está nos conformes nesse projeto”, disse outro morador.

A construção da barragem da região de Campinas segue em meio a irregularidades. Antes da concessão de licença de instalação, que a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) assinou em dezembro do ano passado, o canteiro de obras começou a ser aberto em uma fazenda desapropriada. Em janeiro começaram as obras, à revelia do poder público municipal, que não concedeu alvará à obra. (Da RBA)

Veja vídeo publicado pelo movimento Barragem Não:

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