Em São Paulo – Fica em cartaz até o dia 15 de dezembro, no Sesc Pompeia, o espetáculo teatral “Medeia Negra”, com o grupo Vilavox.
Medeia é vista como a fundação de uma exclusão fundamental: a invisibilização da voz feminina. Sob o nome de “bárbaro”, se justifica o exílio e a divisão do mundo entre civilização e barbárie.
O espetáculo revela para o público outras possíveis leituras do mito grego. É uma montagem que não desenvolve propriamente uma história ou um drama, no sentido aristotélico do termo. A história imposta pelo patriarcado é uma metáfora das mortes que as mulheres negras são obrigadas a carregar. Ela serve, aqui, como um mito de referência. Nos tempos passado, presente e futuro, a personagem desconstrói o mito para convocar as mulheres à retomada do poder.
A ancestralidade e a evocação aos cânticos negros de libertação disparam um embate entre público e personagem sobre as reflexões levantadas.
Sinopse: Nanã nunca se dobrou às lógicas do mundo dos homens, nem exerceu a maternidade de modo convencional. Entre as designações de Iansã, está a capacidade da mulher negra de se camuflar, fugir da violência, usar a magia como força motriz e libertar a si e a seu povo.
Eurípides já traçava o elo entre o humano e as forças naturais e sobrenaturais 25 séculos atrás. A dramaturgia atual é relacionada à descolonização do pensamento europeu, em analogia ao mito grego, como exercício de enegrecimento da personagem-título.
O espetáculo atuado por Márcia Limma e dirigido por Tânia Farias (Tribo de Atores Ói Nóis Aqui Traveis, RS) assenta-se em referências estéticas da África e da diáspora dos povos escravizados.
Emana, portanto, da mitologia dos orixás, do feminismo negro e da vivência com mulheres em situação de encarceramento em Salvador. Aproxima o discurso sobre a ética da elaboração da voz política de mulheres negras.
Narrativa, canto e musicalidade possibilitam registros cômicos, dramáticos, imagéticos e sensoriais, segundo as criadoras, que ressaltam ainda esse corpo bárbaro e atemporal. Medeia representa as mães ancestrais que expressam a morte como transformação e reconstrução, não como o fim da vida.
O pensamento patriarcal é confrontado e, por meio dele, o condicionamento social que marginaliza, julga e condena corpos considerados inadequados, estrangeiros, estranhos.
Os ingressos variam de R$ 9 a R$ 30 e podem ser adquiridos nas Unidades ou pelo Portal do Sesc. (Carta Campinas com informações de divulgação)
Concepção e Atuação: Márcia Limma
Direção: Tânia Farias
Assistente de Direção: Gordo Neto
Dramaturgia: Márcio Marciano e Daniel Arcades
Direção Musical e Piano: Roberto Brito
Cenografia e Adereços: Márcia Limma
Coordenação de Produção: Vitor Barreto
Produção Executiva: Márcia Limma e Ramona Gayão
Produção Artística: Bruno Guimarães
Figurino e Visagismo: Rino Carvalho
Assistente de Figurino: Angélica Paixão
Luz: Nando Zâmbia
Assistente em Iluminação e Operação de Luz: Milena Pitombo
Operação de Som: Ivo Conceição
Preparação Vocal: Marcelo Jardim
Desenho de Canto e ação vocal: Márcia Limma
Assessoria de Comunicação: Mônica Santana
Artista Gráfico: Caio Sá Telles e Caracol
Fotografia: Adeloyá Magnoni, João Junior, Alex Santos, Caio Lírio e Diney Araújo
Duração: 50 min
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