Máquina de divulgação de Fake News pode estar evitando aumento da reprovação de Bolsonaro

.Por Susiana Drapeau.

Muito analistas ainda se perguntam por que as declarações e ações desastradas do governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro (PSL) ainda não colocaram sua reprovação nas alturas. É certo que a reprovação de Bolsonaro já é uma das maiores de um presidente em toda a história, mas parece pouco diante do seu governo.

(foto reprodução)

Uma das razões pode estar na forte reação que o PSL e o grupo ligado ao presidente tiveram com a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as Fake News. Uma reação que tentou de tudo para evitar a criação da CPMI e teve até ameaça ao presidente da comissão.

Diferente do que aposta a oposição, a principal preocupação da turma do governo talvez não sejam as fake news divulgadas durante a eleição, mas exposição da estrutura de fake news mantida para dar sustentação ao governo e que já foi denunciada até por ex-aliados.

Veja que a última pesquisa CNI-Ibope mostra uma alteração bastante substantiva e incomum na avaliação do governo. Em apenas um mês houve um crescimento grande de ótimo-bom no Norte e Centro-Oeste e, ao mesmo tempo, um aumento de ruim-péssimo no Sudeste e principalmente no Sul. O aumento da reprovação pode estar ligado à ausência de fakes news regional.

Além disso, a última evidência de que a estrutura de fake news está em pleno funcionamento foi a postagem do filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que divulgou uma fotografia falsa para atacar a ativista Greta Thumberg, jovem, de apenas 16 anos, que trava uma batalha em defesa do meio ambiente. 

Segundo informação da Agência Senado, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga notícias falsas nas redes sociais e assédio virtual aprovou nesta quarta-feira (25) a convocação de nove empresas de serviços de comunicação digital e cinco provedoras de telecomunicações para prestarem depoimento. As empresas devem enviar os seus representantes legais.

Foram chamadas a depor as provedoras Claro, Nextel, Oi, Tim e Vivo. Já a lista das empresas de serviços traz AM4, CA Ponte, Croc Services, Deep Marketing, Enviawhatsapp, Kiplix, Quickmobile, SMS Market e Yacows. Todas elas trabalham com comunicação direcionada por meio de mídias digitais.

As informações que a CPMI conseguir apurar podem se transformar na pior notícia para o governo, não em relação ao passado, mas em relação ao futuro.

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