Em São Paulo – Os escultores contemporâneos têm se apropriado das mais diversas práticas escultóricas para representar tanto figuras humanas, quanto formas geométricas. Do conjunto diversificado de práticas, coloca-se em dúvida a validade atual do termo “escultura”, ao se preferir a noção mais ampla de “tridimensional”. Essa é a reflexão proposta pela exposição Do volume e do espaço: modos de fazer, coletiva em cartaz até o dia 13 de outubro na Casa de Cultura do Parque.
A mostra tem texto de apresentação de Ana Avelar e reúne trabalhos dos artistas brasileiros Alexandre da Cunha, Claudio Cretti, Edgar de Souza, Eduardo Frota,Felipe Cohen, Flávio Cerqueira, Ivens Machado, José Rezende, Laura Vinci, Nino Cais, Pablo Reinoso, Ricardo Becker, Rodrigo Cardoso e Tatiana Blass.
Dois eixos centrais dividem os trabalhos expostos. O primeiro, endereçado à figura humana, indica a história tradicional da escultura, com o corpo aparecendo em diversas escalas ou fragmentos, ora como metáfora para uma conduta moral e ética, ora para fins religiosos ou místicos.
“As atuais poéticas do corpo debatem politicamente convenções sociais, culturais e sexuais. Se artisticamente o corpo humano serviu, ao longo do tempo, como suporte de nossa relação com o mundo, uma relação física que diz respeito também à nossa compreensão desse mundo, o que pensar sobre corpos que não se completam ou que não seguem proporções exemplares?”, provoca Ana Avelar.
A geometria, elemento que unifica o segundo eixo da exposição, não aparece mais oposta à realidade do corpo, mas sim conjugada a ele. O Minimalismo, marco da arte contemporânea, rompe com o gesto heroico do artista sobre o material e revela a experiência do corpo do indivíduo em contraponto aos objetos sem detalhes, ordenados em série, dentro de uma lógica evidente e simples. “É o corpo que experimenta a geometria, é ele quem a produz”, explica.
Por ocasião da abertura da exposição, o Terra Nova, novo módulo de artes plásticas da Flip, e a Casa de Cultura do Parque promoveram um encontro com José Miguel Wisnik. A palestra “Máquinas do mundo: Drummond, Clarice e Machado” seguida de bate-papo girou em torno do processo de criação de “Máquinas do Mundo”, do Núcleo de Arte da Mundana Companhia de Teatro. A obra contempla elementos das artes plásticas, da literatura e do teatro e explora as potencialidades estéticas contidas no contraponto entre o poema A máquina do mundo, de Carlos Drummond de Andrade, O delírio, sétimo capítulo de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e um capítulo de A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector. O encontro integra a programação do Terra Nova, novo módulo de artes visuais da Flip.
Do volume e do espaço: modos de fazer
Visitação: de 27 de julho a 13 de outubro
Horário: quarta a sexta, das 11h às 19h, sábados e domingos das 10h às 18h
Entrada Gratuita
Local: Casa de Cultura do Parque
Endereço: Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 – Alto de Pinheiros
Informações: (11) 3811-9264 | acasadoparque.com
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