Teatro/conferência ‘Colônia’ fala da exclusão que se produz na relação com a diferença

No próximo dia 10 de maio, sexta-feira, às 20h, o espetáculo teatral “Colônia”, com Renato Livera, será apresentado no Teatro do Sesc Campinas.

(Foto: Patrick Sister)

O monólogo “Colônia” guarda horizontes para o desmembramento de uma realidade social histórica e convida a plateia a acompanhar a evolução de um pensamento que habita o espaço entre conceito e poesia. O espetáculo foi indicado ao prêmio APCA 2018 de melhor dramaturgia.

Colônia é uma dessas palavras emprestadas do dicionário para criações análogas e está dispersa entre um conjunto de ideias: política, sociologia, botânica, ecologias, biologia, perfumaria. A peça faz questionamentos como O que pode uma Colônia? Quais os limites de sua atuação? , questões que foram decisivas para o surgimento desse espetáculo.

Para que essa diversidade de definições entre em cena, dois fatos foram eleitos: a herança colonial e a história de um manicômio. Entre as décadas de 1930 e 1980, a cidade de Barbacena-MG instalou o maior manicômio do país, chamado Colônia. Esse local aprisionou milhares de pessoas e foi cenário de morte de aproximadamente 60 mil pessoas que, em sua maioria, não tinham nenhum diagnóstico de loucura. Milhares delas foram mortas, entre doentes mentais, mulheres atuantes pelos direitos femininos, homossexuais, alcoólatras, prostitutas, homens tímidos, crianças indesejadas, opositores políticos, artistas e negros.

O espetáculo/conferência Colônia resgata o histórico sobre todo um sistema de nação que não começa hoje. Faz um retrospecto histórico da exclusão de grupos na sociedade, propõe uma reflexão sobre as explorações humanas e as violações de direitos básicos de existir, abrindo um espaço para lançarmos dispositivos que podem contrapor os danos e colapsos sociais.

“A gente vai despejando palavra no chão e aí a casa vai ficando suja. Depois a gente limpa. A gente acha que é poeira, mas é palavra. E ainda deve deixar um rastro no tempo, é impossível que uma palavra não deixe um rastro no tempo. Como se fosse arrastada. Não. Melhor. A palavra dita não morre. A palavra presa dentro da gente. Essa está morta. Se ainda não está morta, agoniza. Palavra presa é como filho que não nasce. A palavra dita vive”. (Colônia).

Sinopse: A partir de um teatro/conferência, o conceito de “colônia” é trabalhado em um conjunto de ideias políticas, sociológicas, estéticas e existenciais. Ao projetar pensamentos nascidos entre o conceito e a poesia, o espetáculo apresenta a metáfora da exclusão que a sociedade produz na relação com a diferença.

Os ingressos variam de R$ 5 a R$ 17 e podem ser adquiridos nas Unidades ou pelo Portal do Sesc. (Carta Campinas com informações de divulgação)

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