Alberto Dines e o delegado que confessou ter matado colega militar que era da ditadura

No ano de 2018 ocorreram três mortes que se relacionam: a morte de Alberto Dines, a morte do Observatório da Imprensa (fora do ar desde 2016) e a morte da verdade no whatsapp.

Dines, que morreu em maio aos 86 anos de idade, foi jornalista durante todo o período da Ditadura Militar. Ninguém melhor do que ele para falar e abordar aquele período.

Em 2014, ele realizou uma entrevista perturbadora no programa Observatório da Imprensa com o ex-delegado do Dops Claudio Guerra, que foi assassino a serviço da Ditadura Militar.

Um dos momentos mais perturbadores da entrevista é quando Cláudio Guerra conta que matou militares que, como ele, também matavam os opositores do governo. Ele conta que no final do período sombrio, os militares resolveram queimar os próprios militares que durante vários anos matavam jovens de esquerda. Um deles foi o tenente Odilon, morto por Guerra. Segundo ele, esses colegas foram mortos como queima de arquivo. Segundo a cúpula militar, esses militares poderiam trazer problemas em um futuro regime democrático.

Na entrevista, Guerra também conta porque começou a participar dos crimes da ditadura e também porque se arrependeu de tudo o que fez ao se tornar mais religioso. Na Comissão Nacional da Verdade, o ex-policial contribuiu para o esclarecimento do atentado do Riocentro e a morte da estilista Zuzu Angel em acidente de carro. Os dois com o envolvimento dos agentes de repressão do DOI-CODI do Rio de Janeiro.

O hoje pastor Claudio Guerra conta como foi essa migração do Esquadrão da Morte para eliminação de esquerdistas em 1973, no auge da repressão política.

Ele foi o homem de confiança do coronel Freddie Perdigão, chefe do SNI, responsável por dezenas de vítimas durante os 21 anos do Regime Militar. Ele detalhou como descobriu uma maneira de ocultar os cadáveres de militares e jovens de esquerda assassinados: incinerando os corpos em uma usina de açúcar em campos, no Rio de Janeiro.

No programa, Claudio Guerra fez um apelo à Comissão Nacional da Verdade da época para aprofundar os depoimentos dos envolvidos na repressão. E diz que “não tem como restituir as vidas que foram tiradas, mas pode cooperar com o esclarecimento da verdade e reconhecer que foi um erro. Que não se repita”. (Carta Campinas com informações de divulgação)

Veja entrevista:

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