Cida Moreira interpreta músicas de Belchior e Caetano Veloso em ‘Soledade Solo’

No próximo dia 25 de outubro, quinta-feira, às 20h30, a cantora, atriz e pianista paulistana Cida Moreira apresenta o espetáculo musical “Soledade Solo” no Teatro do Sesc Campinas.

Foto: Josias Profeta

Para compor o seu atual show, Cida Moreira não visitou apenas Soledade, cidade do interior da Paraíba. A viagem foi bem mais significativa e profunda ao adentrar pelas veredas das memórias e de íntimas recordações musicais.

O show em cartaz tem ligação direta com o álbum homônimo, gravado ao vivo em 2015 na Casa de Francisca, em São Paulo (SP). Nesse projeto, que traz a já conhecida identidade multifacetada da artista, Cida Moreira assina a direção musical e a seleção do repertório, que brinda a plateia com 15 canções em três idiomas: português, inglês e até italiano. O critério de escolha? Cida Moreira não pestaneja na resposta: “São canções que falam de pessoas muito sozinhas, mas não no sentido de ‘coitadinhas’. Trata-se de um estado poético e musical, um sentimento de soledade pessoal”, conta.

Em companhia do piano, Cida percorre canções concebidas no período entre 1934 e 2013. Detalhe: compostas por nomes consagrados da música brasileira e internacional, ao lado da nova geração. Trata-se de uma viagem prazerosa oferecida aos ouvidos da plateia que se deleita com a interpretação singular da artista para músicas de Milton Nascimento (A Última Sessão de Música), Caetano Veloso (Cajuína e Recanto Escuro), Belchior (Hora do Almoço), Chico Buarque (Querido Diário), João de Aquino e Paulo César Pinheiro (Viagem), Leonard Cohen (Chelsea Hotel), além de Marianne Faithfull e Angelo Badalamenti (She), Bruno Canfora e Michael Wertmüller (Fortíssimo), Tom Waits (Anywhere I lay my head), Roger Fernay e Kurt Weill (Youkali Tango), entre outros.

“Soledade Solo nasce de muitos sentidos vindos da memória, da poesia, de uma viagem antiga pelas cidades, pelos amores, pelas grandes referências a um estado de alma feminino, de uma artista que em tudo canta um Brasil profundo, além de suas experiências estéticas e gostos pelo contundente, pelo estranho, pelo radical e pela palavra rasgada no piano solitário e na voz de uma mulher que acredita que cantar traz para dentro de sua vida um sentido, um fio precioso, capaz de costurar qualquer tecido, com nossas lembranças, nossas ideologias e sonhos, cumpridos ou não debaixo desse céu por meio dos ventos que levam tudo”, reflete a artista, em tom poético.

Sobre o show, o escritor Carlos Emilio Faraco descreveu em crítica: “Cheguei ontem do show da Cida Moreira em estado de graça. As músicas reaparecem com leituras sempre novas e aí evidencia o que eu chamo de ‘voz de bisturi’. Com a segurança de um cirurgião, Cida vai lá, cavouca as palavras, reveste-as de novas inflexões. Mas nada disso é gratuito ou se esgota no estético. Tudo tem um propósito que pode escapar a ouvidos menos atentos: o objetivo da cantora é, no meu entender, fender a superfície de uma aparente normalidade para revelar uma realidade golpeada até a raiz. Ainda que as canções falem de afetos, amores, compaixões. Ou até por isso”.

Cida Moreira (São Paulo, 1951) estreou nos palcos brasileiros na década de 1970. Seu primeiro trabalho musical, Summertime, independente e ao vivo, foi lançado em 1981, com clássicos do jazz e do blues, além da versão censurada de Geni e o Zepelim, de Chico Buarque. Cantora, pianista e atriz, lançou mais de dez álbuns, dentre os quais Cida Moreira interpreta Brecht (1988), Cida Moreira canta Chico Buarque (1993) e A Dama Indigna (2011). Ganhou o prêmio de Melhor Atriz pelo filme O Que Se Move (2013), no Lakino Film Festival, em Berlim.

A classificação etária do show é de 16 anos. Os ingressos variam de R$ 5 a R$ 17 e podem ser adquiridos nas Unidades ou pelo Portal do Sesc. (Carta Campinas com informações de divulgação)

Repertório do Show

1. A última sessão de música (Milton Nascimento, 1973)

2. Cajuína (Caetano Veloso, 1979)

3. Hora do almoço (Belchior, 1971)

4. Recanto escuro (Caetano Veloso, 2011)

5. Preciso cantar (Arthur Nogueira e Dand M, 2013)

6. Querido diário (Chico Buarque, 2011)

7. Viagem (João de Aquino e Paulo César Pinheiro, 1972)

8. À beira do Pantanal (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1980)

9. Os açougueiros felizes (Les joyeux bouchers) (Boris Vian e Jimmy Walter, 1955, em versão em português de Letícia Coura, 2001)

10. Fortíssimo (Bruno Canfora e Michael Wertmüller, 1966)

11. Chelsea Hotel (Leonard Cohen, 1974)

12. Forasteiro (Hélio Flanders e Thiago Pethit, 2010)

13. She (Marianne Faithfull e Angelo Badalamenti, 1995)

14. Anywhere I lay my head (Tom Waits, 1985)

15. Youkali tango (Roger Farney e Kurt Weill, 1934)

Soledade Solo, com Cida Moreira
Quando: Quinta-feira (25), às 20h30
Onde: Teatro do Sesc Campinas (Rua Dom José I, 270/333 – Bonfim, Campinas/SP)
Quanto: Ingressos à venda no portal sescsp.org.br ou nas bilheterias da Unidade.
R$ 5,00 [trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes – Credencial Plena], R$ 8,50 [aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor de escola pública com comprovante] e R$ 17,00 [demais interessados].

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