População é incentivada a consumir, mas na escola não se aprende educação financeira

A importância de levar educação financeira às escolas

.Por Victor Barboza.

Umas das profissões mais importantes no Brasil, porém, que acaba não sendo tão valorizada quanto o que ela representa, é a do professor.

Esse profissional represente a figura mais importante do processo educativo, por conta de não só ensinar sobre diversas áreas de conhecimento, mas também sobre a vida e a sociedade, contribuindo com a formação do cidadão.

No ano passado, o Ministério da Educação apresentou um documento chamado Base Nacional Comum Curricular, que apresenta definições do conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todo aluno deve desenvolver ao longo das etapas e modalidades da educação básica. E, pela primeira vez, a Educação Financeira passou a estar presente, como um tema a ser abordado nas aulas de matemática.
Por quê falar de educação financeira com os alunos?

Um dos números que chama muito a atenção, negativamente, em relação ao Brasil, está relacionado às Finanças Pessoais. De acordo com um levantamento do Banco Central, apenas 6% dos brasileiros entre 15 e 24 anos disseram ter guardado dinheiro para a velhice, no ano passado. Considerando todas as faixas etárias, o Brasil ficou na 101ª posição (de 144 países).

Além da pesquisa, basta observarmos alguns outros números da relação da sociedade com o dinheiro:
• SPC: 63,4 milhões de endividados (equivalente a uma Itália!)
• 2,3 milhões de usuários cadastrados no Tesouro Direto (apenas cerca de 1,11% da população)
• 741 mil pessoas físicas cadastradas na Bolsa de Valores (apenas cerca de 0,36% da população)

Estes números mostram que a realidade de boa parte da população é de ter problemas com dívidas. Mais do que isso, o número de pessoas que investem também mostra-se um número bem abaixo do desejado.
Mas por quê será que vivemos neste cenário?

O principal motivo para estes números preocupantes é o fato da Educação Financeira praticamente nunca ter sido trabalhada nas escolas. Pelo contrário, desde cedo, já somos “incentivados” a consumir, utilizar dinheiro emprestado (crédito) e não há incentivo nenhum para fazer controle. Porém, iniciativas relacionadas ao dinheiro devem ser trabalhadas desde cedo.

Assim como qualquer outro assunto, seja aprender a dirigir, aprender uma nova língua ou aprender a cozinhar, para que essas atividades sejam desempenhadas é necessário justamente haver um processo de aprendizado. Com o dinheiro não deve ser diferente, precisamos aprender sobre como controla-lo e como gastarmos bem, porque ele é um recurso vital e, ao mesmo tempo, escasso, na sociedade em que vivemos.

Para que estes tópicos sejam trabalhados, é importante que existam incentivos por parte do Governo e das Escolas, para que possam educar, inicialmente, os mestres, para que eles possam repassar aos alunos os princípios da educação financeira.

Vale destacar o papel da AEF Brasil (Associação de Educação Financeira do Brasil), um programa de educação financeira nas escolas, com projetos para Ensino Fundamental e Ensino Médio, com atividades educativas que permitem a inserção do tema na vida escolar.

Outra instituição com papel fundamental no desenvolvimento deste tema é a ENEF (Estratégia Nacional de Educação Financeira). Trata-se de uma mobilização multissetorial em torno da promoção de ações de educação financeira no Brasil. Uma das grandes ações realizadas pela ENEF é a Semana ENEF, que teve sua 5ª edição ocorrida neste ano.

A ENEF também é responsável pelo Mapeamento Nacional de Iniciativas de Educação Financeira. Neste ano foi realizado o 2º levantamento. O primeiro mapeamento havia sido elaborado em 2013, e, os números de 2018 mostram um cenário positivo. Neste ano, foram registradas 1.383 iniciativas em escolas, universidades, associações, cooperativas e órgãos da iniciativa privada pelo Brasil (em 2013 eram 803). Um dos destaques foi o aumento de 50% das ações em escolas públicas.

Portanto, vemos que apesar dos números ainda serem preocupantes, os primeiros passos já estão sendo dados para o desenvolvimento da Educação e do Letramento Financeiro aqui no Brasil. As escolas e os professores, cada vez mais, precisam começar a se posicionar e se capacitar para que possam transmitir o assunto para os alunos, para que cada vez mais a sociedade possa prosperar!

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