Chile poderá ter ‘Lei Bolsonaro’ contra divulgação de notícias falsas nas eleições

O senador chileno Alejandro Navarro anunciou nesta terça-feira (23) que vai propor uma nova lei para destituir candidatos em eleições que divulguem fake news – notícias falsas – contra adversários.

O projeto de reforma constitucional foi batizado de “Lei Bolsonaro”, devido à “forma questionável” de fazer política do candidato da extrema-direita a Presidente da República nas eleições 2018 no Brasil.

O parlamentar diz que a medida é necessária para “resguardar a democracia” frente à nova maneira de fazer política adotada pela extrema-direita em todo o continente, baseada na utilização de banco de dados de usuários nas redes sociais para disseminar mentiras com o objetivo de destruir candidaturas adversárias.

“Um presidente da República deve ser um líder que triunfe sem trapaças, no debate político e nas urnas”, afirma o senador, que representa a província de Biobío. O projeto, se aprovado, deve valer não só para as candidaturas presidenciais, mas também para o parlamento e para os governos regionais e municipais.

Navarro explica que batizou a proposta legislativa com o nome de Bolsonaro após a revelação do esquema de caixa 2 montado por empresários para financiar a disseminação de boatos contra o PT e o candidato a presidente Fernando Haddad através de disparos em massa de fake news pelo Whatsapp.

Ele cita expressamente o boato que Haddad, quando ministro da Educação, teria estimulado a divulgação de conteúdos inadequados nas escolas. A menção ao chamado “kit gay” foi inclusive proibida pelo Tribunal Superior Eleitoral, no início do mês, mas a informação falsa havia sido insistentemente difundida por Bolsonaro e seus apoiadores pagos ou voluntários.

Ou ainda as imagens da atriz Beatriz Segall machucada como tendo sido vítima de violência de militantes de esquerda durante o primeiro turno das eleições. A atriz já havia morrido em setembro, em decorrência de uma pneumonia, e os machucados ocorreram numa queda durante uma apresentação teatral em agosto.

O senador chileno cita outros episódios de difamação baseado em notícias falsas pela América Latina, como o caso de um candidato mexicano responsabilizado indevidamente pelo corte de água em uma determinada região. Navarro lembra ainda do escândalo de vazamento de dados do Facebook envolvendo a empresa Cambridge Analitics, que com a posse das informações dos usuários, enviava mensagens eletrônicas que teriam beneficiado a candidatura de Donald Trump nos Estados Unidos.

“As fakes news são uma manobra eleitoral efetiva. Os candidatos que a utilizam, lamentavelmente, ganham as eleições. Não podemos deixar que essas práticas conquistem a política chilena. A mentira não pode ser base de estratégia eleitoral alguma”, defendeu o senador. (Da RBA)

Recent Posts

Senado aprova o fim da lista tríplice para escolha de reitor das universidades

(foto senado federal) Uma vitória da ciência e da autonomia universitária contra o autoritarismo. O…

3 hours ago

Pensador Michael Löwy faz palestra em evento na Unicamp

(imagem reprodução) A ADunicamp sediará, no dia 11 de março, o seminário “Intelectuais, Sociedade e…

7 hours ago

Sexta-feira 13 terá madrugada de terror dentro do museu com cinema e performances

(imagem divulgação) Uma madrugada inteira dedicada ao terror e à ocupação cultural de um espaço…

13 hours ago

Verônica Ferriani e Alfredo Del-Penho cantam Cartola em show em Campinas

(foto marina cabizuca - divulgação) A cantora Verônica Ferriani e o músico Alfredo Del-Penho cantam…

14 hours ago

Ministra das Mulheres participa do lançamento de cartilha sobre direitos da mulher em Campinas

Márcia Lopes (imagem fábio rodrigues pozzebom - ag brasil) Publicação produzida pela ADunicamp em parceria…

15 hours ago

Governo Tarcísio acaba com 2.814 cargos de professores do ensino técnico

(imagem reprodução) O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) intensificou o processo de redução do serviço…

15 hours ago