Marcelle transita pelo universo pop e sua reinterpretação no álbum ‘Equivocada’

Na próxima quinta-feira (14), às 20h30, a cantora-compositora sergipana Marcelle realiza o lançamento do álbum “Equivocada” na Área de Convivência do Sesc Campinas.

Neste segundo disco (Equivocada) a cantora (que se assina Equivocada) mergulha em seu universo particular com a ajuda de Dustan Gallas, produção, arranjos, teclados e guitarras, Samuel Fraga, bateria e Zé Nigro, baixo e responsável pelo Estúdio Navegantes onde o trabalho tomou forma. Sergipana, como Héloa, o duo The Baggios, Arthur Mattos e a Coutto Orquestra, Marcelle vive há muito tempo em São Paulo e demorou para optar por música, um hobby adquirido na infância que foi sendo cultivado enquanto a menina transitava pelo mundo dos escritórios de Direito, os caminhos da publicidade e os meandros da produção musical.

Focada, levou dois anos para lançar em 2012 One Oh 1, já produzido por Dustan – ao lado de Bruno Buarque. O disco chamou a atenção porque além de trazer músicas de autores brasileiros que compunham em inglês, como o piauiense Odorico Leal e os cearenses Igor Di Cavalcanti e Regis Damasceno, tinha uma sonoridade típica do psicodelismo inglês do final dos anos 1960 – Régis, colega de Dustan na banda Cidadão Instigado, tem um projeto nessa direção, o Mr. Spaceman.

Em Equivocada, Dustan manteve essa sonoridade peculiar, permitida pela parafernália vintage que cultiva, mas optou por abrir espaços para a cantora se exprimir. É como se evocasse o texto de Ferreira Gullar na contracapa do clássico de Maria Bethania, Recital na Boite Barroco, em que o poeta cita cantora, “sei que desafino às vezes. Mas eu também desafino na vida”. Da “atonalidade baiana” ao delírio harmônico de um Connan Mockasin é só “um pulinho”. E como referindo-se a One Oh 1, Marcelle abre o disco só com violão e voz, dizendo “Sim, é o filme da nossa vida / talvez, o roteiro esbarre no inglês” (Cinema). E, em português (claro), Marcelle solta o coração e abre a voz em faixas que unem lisergia e minimalismo (Fantasmagórica), ora desconstruindo um samba-canção (Mais calma eu preciso de um tempo, com direito a declamação del bofe), ora erigindo um reggae (Não vou te deixar sair, com a participação de Anelis Assumpção, a exemplo de Trem pra ninguém). O mellotron de Dustan em Nada a nós é majestoso como o King Crimson inicial enquanto o assobio de Marcelle em Se renda brinca com o citado neozelandês Mockasin. “Puro drama? Equivocada?” Marcelle sugere em Vem de mim. Ah, equívoco é deixar passar discos assim.

Com Marcelle, voz; Carlos Gadelha, guitarra; Felipe Faraco, baixo; Bianca Predieri, bateria; Xavier Francisco, percussão e Léo Monstro, teclado. A apresentação é gratuita. (Carta Campinas com informações de divulgação)

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