Exposição no MASP traz pinturas da Tate Gallery, incluindo obra de Francis Bacon

Em São Paulo – Até fevereiro de 2019, o MASP apresenta Acervo em transformação: Tate no MASP, uma espécie de exposição dentro da exposição.

Acervo em transformação é uma exposição de longa duração com uma pequena seleção de obras da coleção do MASP. O conjunto tem foco na arte figurativa, o que reflete a história do acervo e os interesses das primeiras aquisições do museu, por seu diretor-fundador Pietro Maria Bardi (1900-1999). Ao contrário das exposições permanentes de coleções de outros museus, a mostra Acervo em transformação, está em constante modificação, com entrada e saída de obras da exposição quase semanalmente em razão de empréstimos, novas aquisições e rotatividade de obras. Na perspectiva de uma pinacoteca viva e dinâmica, e levando em consideração algumas lacunas da coleção, a partir deste ano de 2018 o MASP desenvolve um intercâmbio com museus de todo o mundo. A cada ano, o museu mostrará uma seleção de obras de uma instituição parceira nos cavaletes de cristal, em diálogo com o seu acervo. Neste primeiro ano, o museu recebe por nove meses seis pinturas da coleção da Tate, em Londres, uma das mais importantes coleções de arte moderna e contemporânea na Europa.

A seleção de obras da Tate reúne pinturas de artistas que trabalharam no Reino Unido e está alinhada com alguns interesses do museu pela produção de artistas mulheres [como Gwen John (1876-1939) e Sylvia Sleigh (1916-2010)], de artistas imigrantes [com Ibrahim El-Salahi, do Sudão, e Francis Newton Souza (1924-2002), da Índia], e por produções de artistas considerados autodidatas [como L. S. Lowry (1887-1976)]. O conjunto ainda inclui uma obra de Francis Bacon (1909-1992), grande referência na história da pintura figurativa.

A pinacoteca com cavaletes de cristal é uma das características mais marcantes do MASP. O museu é o único no mundo a adotar esse sistema radical de expor quadros, concebido de maneira integrada para este edifício por Lina Bo Bardi (1914-1992), autora também do projeto da sede do museu na avenida Paulista, inaugurada em 1968. Nos cavaletes, as obras parecem suspensas no ar, e o visitante caminha por uma espécie de floresta de quadros. O gesto de retirar as pinturas da parede e colocá-las nos cavaletes aponta para a dessacralização das obras, tornando-as mais familiares e acessíveis ao público. Com essa perspectiva, as legendas informativas colocadas no verso das obras possibilita um primeiro encontro mais direto com elas, livre de sua identificação ou contextualização na história da arte. O público é assim levado a construir seus próprios caminhos, permitindo justaposições inesperadas e diálogos entre arte asiática, africana, brasileira e europeia.

A galeria aberta, fluida, transparente e permeável oferece múltiplas possibilidades de acesso e leitura, elimina hierarquias, roteiros predeterminados, e desafia narrativas canônicas da história da arte.

A exposição fica em cartaz até o dia 16 de junho de 2019. (Carta Campinas com informações de divulgação)

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