Biblioteca Central da Unicamp traz exposição com 17 livros censurados durante a ditadura militar

A Diretoria de Coleções Especiais e Obras Raras da Biblioteca Central “Cesar Lattes” (CEOR/BCCL), da Unicamp, apresenta até 31 de julho uma exposição com 17 livros que foram vetados durante a ditadura militar no Brasil (1964 a 1985). O material pode ser visto de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 22h45, no térreo da BCCL.

Na época dos livros expostos, além da tortura, a censura foi um dos mecanismos usados para calar vozes dissonantes do discurso oficial, prática que se intensificou após a instauração do Ato Institucional Nº 5 (AI-5) em 1968. No setor livreiro, o Decreto-Lei Nº 1.077 de 1970 estendeu a censura prévia aos livros. De acordo com o documento, a censura se restringia a temas como sexo, moralidade pública e bons costumes. No entanto, o regime de exceção permitiu também a censura política. A simples posse de um livro considerado subversivo era usada como prova na acusação de pessoas, igualmente tachadas de subversivas.

Eram censuradas obras que abordassem denúncias de torturas, críticas à própria censura, opressão feminina, que “ferissem a moral e os bons costumes”, enfim, que tratassem de algum tema considerado tabu ou que não agradasse ao censor ou aos apoiadores do regime. Jornais, músicas e outros meios artísticos e de comunicação também eram alvos constantes da ditadura militar.

O material da mostra montada na Unicamp faz parte de coleções especiais do acervo da CEOR como, por exemplo, a do historiador e crítico literário Sérgio Buarque de Holanda. Entre os livros expostos, está a obra de Nelson Werneck Sodré, História Militar do Brasil. O autor foi militar de carreira ligado à esquerda marxista e ao Partido Comunista do Brasil (PCB), preso em 1964 por se recusar a apoiar a ditadura. Há também quatro números da coleção Cadernos do Povo Brasileiro, publicada entre os anos de 1962 e 1964 pela editora Civilização Brasileira, uma das mais combatidas pelo regime militar. Foram editados no total 24 livretos escritos por grandes intelectuais e estudiosos dos movimentos sociais. E o destaque é o caderno de número 5, Quem dará o golpe no Brasil?, de autoria do sociólogo Wanderley Guilherme dos Santos e publicado em 1962, dois anos antes do Golpe de 64. (Carta Campinas com informações de divulgação)

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