Por que Reinaldo Azevedo não embarca no fascismo da grande mídia e da Lava Jato?

O jornalista tucano Reinaldo Azevedo, que foi uma espécie de voz agressiva contra o PT durante anos, parece se reerguer das cinzas em que se meteu.

Ele é uma cria tucana. Nasceu no ninho tucano da revista Primeira Leitura. A revista era uma tentativa do PSDB de expor o seu valor. A revista se considerava autoiluminada, o farol da nação brasileira, mas não durou muito. Fechou com o fracasso das políticas tucanas.

Aproveitado na grande mídia, Azevedo descerrava os textos mais violentos e asquerosos contra o PT ou qualquer pessoa que defendesse melhores condições de vida para a população excluída. Durante anos se envolvia em todas as polêmicas para tentar destruir a imagem de qualquer cidadão que fosse petista, amigo de petistas, ou que simplesmente lhe parecesse petista ou de esquerda.

Reinaldo Azevedo é um dos principais responsáveis pela onda de ódio ao PT expressa por grupos de extrema-direita na internet e até nas ruas. Era uma espécie de Bolsonaro do jornalismo brasileiro.

Ele carregava a lança envenenada na linha de frente da grande mídia. Azevedo fez durante um bom tempo o trabalho sujo que os grupos econômicos e de mídia, sedentos por recursos do Estado, ordenavam e desejavam.

Certa vez recebeu o apelido de besouro rola-bosta de Leonardo Boff, tamanha a capacidade de se envolver na pior imundice jornalística possível. Na época, Azevedo chamou o genial arquiteto Oscar Niemeyer de ‘meio idiota’. Para se ter uma ideia da mentalidade de Azevedo, basta ler o artigo de Leonardo Boff e as citações daquele Reinaldo Azevedo de 2012.

Mas Azevedo ressurge em 2017 da imundície que ele mesmo ajudou a criar. Como explicar isso? A primeira explicação é a própria condição provocada no país com a Operação Lava Jato. Apesar de evitar qualquer investigação a tucanos, a Lava Jato não ficou somente presa ao grupo missionário do Ministério Público Federal (MPF) de Curitiba.

Outras ramificações foram aparecendo em Brasília e no Rio de Janeiro dentro do MPF e as entranhas do PSDB foram vindo à tona, ainda que o andamento das ações fosse bloqueado por um poder judiciário conservador, reacionário e covarde. A Justiça não anda para o PSDB, mas os escândalos aparecem. Isso já é suficiente para acender o sinal de alerta.

Havia inevitavelmente o risco fascista que, ao se espalhar, não se sabe onde vai parar. Julgamentos e condenações sem provas e ilegais como no caso do judeu Dreyfus. Lembrem-se da Espanha, Itália e Alemanha fascistas. Os abusos e ilegalidades da Lava Jato contra o PT poderiam em algum momento extrapolar e atingir o PSDB. Algumas faíscas já estavam atingindo.

Azevedo começou a adotar um tom mais crítico com relação aos missionários de Curitiba. Foi grampeado e exposto no escândalo Aécio Neves. A Polícia Federal expôs as entranhas da ligação entre Azevedo e o PSDB em uma gravação com Andrea Neves, a irmã do Aécio Neves.

A conversa não tinha nada de ilegal, mas expunha a imoralidade e parcialidade de Reinaldo Azevedo como crítico da política. Ele sentiu na pele os efeitos da Lava Jato. Isso parece ter sido suficiente para perceber que precisava se reerguer e ao mesmo tempo se rebelar em relação aos procuradores missionários de Curitiba.

Mais do que qualquer jornalista, Azevedo foi a fundo no processo contra o ex-presidente. Ele sabia o que iria encontrar. Mais que isso, ele pode ter e guardar informações privilegiadas e de bastidor sobre como a Lava Jato perseguiu Lula nos últimos anos.  (Susiana Drapeau)

Veja um comentário em vídeo sobre o caso Lula:

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