Sinfônica toca clássicos de Pixinguinha com arranjos de Proveta e Nelson Ayres

Uma das melhores definições para Pixinguinha (1897-1973) veio do pesquisador Ary Vasconcelos (1926-2003): “Se você tem 15 volumes para falar de toda a música popular brasileira, fique certo de que é pouco. Mas, se dispõe apenas do espaço de uma palavra, nem tudo está perdido. Escreva depressa: Pixinguinha”. A Sinfônica de Campinas entra no circuito das homenagens que marcam os 120 anos de nascimento do compositor, instrumentista, maestro e arranjador carioca e apresenta, no Mês da Consciência Negra, o concerto especial no próximo domingo, 26 de novembro, às 18h, na Concha Acústica do Taquaral.

Sob regência do maestro convidado João Maurício Galindo, atual regente da Orquestra Jazz Sinfônica, os músicos interpretam clássicos de Pixinguinha com arranjos de nomes como Proveta, Rodrigo Morte, Nelson Ayres, Edson Alves, além de peças de Tiago Costa, “Pixinguinhando – Fantasia sobre temas de Pixinguinha” e do mestre Cyro Pereira, “O Fino do Choro”.

Pixinguinha era precursor em tudo que fazia. Foi o primeiro maestro arranjador contratado por uma gravadora no Brasil. Pesquisador incansável de sonoridades e totalmente desprovido de preconceitos, misturou ritmos africanos e música negra americana com os novíssimos acordes nacionais de Ernesto Nazareh e Chiquinha Gonzaga. Reuniu com perfeição os instrumentos de percussão africana com os europeus.

A velha guarda o chama de mestre dos mestres. O músico americano Louis Armstrong era fã de Pixinguinha. O maestro Heitor Villa-Lobos o comparava com o compositor clássico J.S. Bach. Para Tom Jobim ele era “um gênio da raça”. O poeta Vinícius de Moraes dizia que Pixinguinha era o “ser humano perfeito”. O fervor por ele era tanto que o jornalista Fernando Faro, criador do icônico programa Ensaio, da TV Cultura, chegou a afirmar que o músico era um “santo”. E os críticos sempre se renderam à tão doce e exuberante musicalidade.

Pixinguinha morreu na tarde de um sábado de carnaval, 17 de fevereiro de 1973, num batizado na igreja Nossa Senhora da Paz, no bairro carioca de Ipanema. Para homenageá-lo, a banda de Ipanema tocava suas composições na praça em frente à igreja. Nesse clima, sofreu enfarte e caiu nos braços de seu único filho, Alfredo da Rocha Vianna Neto, deixando mais de duas mil músicas. Foram choros, sambas, marchas, baiões, foxtrotes e maxixes. Entre elas, pérolas como Carinhoso, Rosa, Ingênuo, Um a Zero, Lamentos, Urubu, Nostalgia ao luar, Mentirosa e Soluços.
Em 2000, teve seu arquivo pessoal sob a guarda do Instituto Moreira Salles (IMS) composto por documentos pessoais, medalhas, troféus, álbuns com recortes de jornal, centenas de fotos, roupas, registros de memória oral e a flauta utilizada durante muitos anos.

No primeiro semestre deste ano, já em comemoração aos 120 anos de nascimento do músico, o IMS inaugurou o portal pixinguinha.com.br, que disponibiliza para consulta, além de todo seu acervo, farto material sobre a vida e obra do compositor.

O concerto tem entrada gratuita. (Carta Campinas com informações de divulgação)

Programa

– Cyro Pereira: O Fino do Choro
– Tiago Costa: Pixinguinhando – Fantasia sobre temas de Pixinguinha
– Pixinguinha: Lamentos
– Pixinguinha: Carinhoso
Arranjo: Nelson Ayres
– Pixinguinha: Desprezado
Arranjo | Edson Alves
– Pixinguinha: Rosa
Arranjo: Rodrigo Morte
– Segura Ele
Arranjo: Proveta
– Pixinguinha: Um a Zero
Arranjo: Proveta
– Pixinguinha: Tô Fraco
Adaptação | Fábio Prado
– Pixinguinha: Choro de Gafieira
Arranjo | Edson Alves
– Pixinguinha: Urubu Malandro
Arranjo | Proveta

Orquestra Sinfônica de Campinas
Concerto em Homenagem a Pixinguinha – 120 anos de nascimento.
Regência: João Maurício Galindo.
Quando: 26 de novembro, domingo, 18h.
Onde: Concha Acústica do Parque Taquaral (Av. Heitor Penteado, s/n. Campinas).
Entrada gratuita

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