Masp apresenta exposição ‘Quem tem medo de Teresinha Soares’, com mais de sessenta obras

Em São Paulo – Pode ser vista até o dia 6 de agosto de 2017, no MASP – Museu de Arte de São Paulo, a exposição “Quem tem medo de Teresinha Soares”.

No ano dedicado às mostras em torno dos temas da sexualidade e do gênero, o MASP apresenta a primeira exposição panorâmica da artista Teresinha Soares. A mostra reúne um conjunto de mais de sessenta obras — muitas delas inéditas ou que ficaram desaparecidas por décadas —, produzidas entre 1966 e 1973, no auge da carreira da artista. Soares deixou definitivamente de produzir arte em 1976, depois de realizar uma trajetória meteórica. O título Quem tem medo de Teresinha Soares? faz menção ao caráter transgressor, contestatório e antipatriarcal de sua obra. Foi apropriado de um artigo de jornal publicado em 1973 e se refere à peça do dramaturgo inglês Edward Albee (1928-2016) Quem tem medo de Virginia Woolf? (1962). De acordo com Albee, essa frase é uma maneira de perguntar: “Quem tem medo de viver a vida sem falsas ilusões?”. De modo semelhante, pergunta-se aqui: A quem incomodava (e incomoda) a arte de Teresinha Soares e por quê?

A mostra tem um caráter panorâmico e reúne grande parte da produção da artista, entre pinturas, gravuras, cartazes, relevos, objetos, instalações, recriação e documentação de performances e happenings. A representação do corpo feminino é o principal interesse de toda sua obra e assume diversas inflexões: o erotismo, as relações do corpo com os costumes morais, o consumo, a máquina e a política. O sexo emerge como força motriz e libertadora, algo que ganha significados particulares no contexto repressivo da ditadura militar brasileira (1964­-85) e revela um movimento contrário às convenções machistas da sociedade e do mundo da arte. A exposição sublinha o pioneirismo da artista no tratamento de temas feministas e de gênero e também sua relação com movimentos artísticos do período, como a arte pop, o nouveau réalisme e a nova objetividade brasileira. No final dos anos 1960 e início da década de 1970, uma série de obras feministas transformou a arte contemporânea questionando e criticando várias de suas premissas, um fenômeno global no qual os trabalhos de Soares devem ser contextualizados.

Simultaneamente à exposição, o MASP edita o primeiro grande catálogo monográfico da artista. Com isso, o Museu cumpre um papel crucial, algo que, de fato, é sua responsabilidade institucional: apresentar ao grande público uma obra que hoje, mais de quarenta anos depois, deve ser reconsiderada e reinscrita na história recente da arte brasileira.

Quem tem medo de Teresinha Soares? tem curadoria de Rodrigo Moura, curador-adjunto de arte brasileira do MASP, e Camila Bechelany, curadora-assistente do MASP. (Carta Campinas com informações de divulgação)

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