Um pequeno clarão na ignorância

Por Luís Fernando Praga

Sobre a sociedade em que vivemos imersos é possível uma constatação: Ela se apoia a uma estrutura hierárquica que impõe barreiras intransponíveis para que atinjamos uma situação de igualdade e justiça social.

Igualdade e justiça dependem de uma educação que forme cidadãos, que amplie os conhecimentos, que estimule e não coíba o questionamento e que seja oferecida a todos (inclusive aos pretos e aos pobres).

Justiça e igualdade social dependem de direitos básicos para todos (lazer, férias remuneradas, aposentadoria, cultura, alimentação de qualidade, sistema de saúde digno, inclusive para pretos, pobres, gays, putas, nordestinos, budistas, satanistas e muçulmanos!). Sim! Direitos básicos, numa sociedade justa, devem se estender inclusive a quem você não gosta, até aos corintianos, petralhas, católicos, fascistas, criminosos, evangélicos, e políticos.

A sociedade justa deve se ocupar em conquistar e garantir tais direitos antes de punir a quem quer que seja, pois até que ela ofereça dignidade a todos, ela é e continuará sendo injusta, tendenciosa e não terá credibilidade para julgar.

A sociedade justa não é vingativa, não é belicosa, não comporta nenhum privilégio e não se curva às vaidades do ego. É prerrogativa da sociedade justa o “querer evoluir” sempre e para todos!

Não deveríamos viver subordinados a esta ordem hierárquica, mas o fato é que nascemos obrigados a ela. Aceitamos suas imposições sob a ameaça de nos tornarmos “marginais”, de perdermos nossas vidas e nossas liberdades ou de vermos ameaçadas as vidas e as liberdades daqueles a quem amamos, que, numa sociedade justa, deveriam ser todos.

O sistema dispõe de uma máquina de publicidade que se encarrega de controlar e manter cega a massa explorada. Tal máquina dita aos explorados quais os próximos passos que o explorador espera que eles trilhem, sem jamais mostrar a cara de quem, em última instância, “se dá bem” com este modelo absurdo.

Uma única generalização é possível: Todo ser humano é passível do erro e do engano, tanto o que luta contra o sistema quanto o que se acomoda a ele e o defende.

Enquanto não vivemos na utopia de uma sociedade justa, enquanto estivermos engessados a esta hierarquia, enquanto o mundo achar bonito o capitalismo exploratório e o consumismo burro e suicida, dizer que político é tudo igual, que todos eles fodem o povo com o mesmo falo tamanho padrão é agir conforme o interesse da mídia, mas também é má vontade. É falta de estudar história, falta de ver os projetos aprovados de uns e de outros, é falta de enxergar a profundidade das realizações de uns e de outros no caminho de uma sociedade melhor.

É apego à própria ignorância. É falta de discernimento entre o que é biografia, o que é calúnia e o que é propaganda.

Também é falta de perceber o esforço do sistema em caçar, maldizer, prender, difamar e vilanizar a uns, enquanto dá liberdade para que outros te fodam com um falo tamanho “extra grande plus” e você, passivo, assiste a história sendo manipulada pela TV e pede mais.

Moral da história: Encontre os bons e lute com eles! Aja em legítima defesa da paz! Morra lutando pelo conhecimento e pela justiça!

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