Na audiência, o ex-zelador estava exaltado e se dizia prejudicado pela crise econômica criada pelo governo do PT. Ele disse que se viu obrigado a entrar para a política e concorrer a vereador em Santos após ter sido demitido do Condomínio Solaris. Ele se sentiu intimidado pela tentativa do advogado Cristiano Zanin de demonstrar que a testemunha tirava vantagem política do caso triplex, e reagiu xingando a defesa e o PT de “um bando de lixo”.
Moro pediu calma e objetividade nas respostas de Pinheiro, mas durante a audiência acabou sendo conivente com os ataques da testemunha, impedindo que Zanin fizesse mais perguntas sobre a posição política do ex-zelador. Ao final, Moro também pediu desculpas pela linha “ofensiva” que a defesa de Lula teria adotado. Sobre o “bando de lixo”, porém, Moro disse que se tratou de “um pouco de excesso” da testemunha.
Quando o áudio da audiência foi encerrado, Moro ainda ironizou a defesa de Lula. “Vamos ver se não vai sofrer queixa-crime, ação de indenização, a testemunha, né, por parte da defesa.”
Zanin, segundo relatos da jornalista Mônica Bergamo, respondeu: “Quando as pessoas praticam atos ilícitos elas respondem por seus atos. Eu acho que é isso o que diz a lei.”
Moro perguntou se a defesa vai entrar com queixa-crime contra a testemunha, e Zanin replicou: “O senhor está advogando para a testemunha?”
O juiz seguiu: “Não sei, a defesa entra [com ação] contra todo mundo, com queixa-crime, indenização”. Zanin rebateu: “Eu acho que ninguém está acima da lei. Da mesma forma como as pessoas estão sujeitas a determinadas ações, as autoridades também devem estar”.
“Tá bom, doutor. Uma linha de advocacia muito boa”, finalizou Moro, ao que Zanin respondeu: “Faço o registro de Vossa Excelência e recebo como um elogio.”
Em nota à imprensa, Zanin disse que um “juiz imparcial jamais teria ouvido José Pinheiro como testemunha porque, como filiado a partido político e candidato a vereador em Santos, ele fez campanha usando dos fatos em discussão no processo.”
Além disso, “diante de perguntas objetivas e feitas em tom cordial”, Pinheiro respondeu “com insultos a Lula e a mim como seu advogado, ao mesmo tempo em que fazia declarações de cunho subjetivo e sem qualquer valor jurídico”, e Moro permitiu todas essas situações.
“O mais grave ainda é que o juiz do caso, além de pedir “desculpas” à testemunha após ela agir dessa forma desrespeitosa, ainda lançou a mim descabidas provocações após o áudio da audiência ser desligado. O assunto e as provas correspondentes serão encaminhados à OAB para as providências cabíveis.” (Do GGN)
Ouça o áudio:
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