A produção de histórias em quadrinhos cresce a passos largos no Brasil

Por Marcelo Gaudio

Leitores de HQ (histórias quadrinhos), ou mesmo aqueles que não acompanham, mas gostam da arte, vem percebendo um aumento da produção no cenário nacional por meio de divulgação em páginas especializadas ou mesmo sendo lançados em algumas bancas.

Esse fenômeno é muito associado às grandes produções cinematográficas que, desde X-Men em 1999, vem produzindo filmes que passaram a acertar cada vez mais no gosto do público. Porém, o mercado de super-heróis é apenas uma pequena parte dos inúmeros temas tratados por essa mídia.

Nos gráficos abaixo, pode-se compreender melhor o que significa esse aumento no número de publicações no mercado chamado independente. O gráfico mostra um número quase constante de apenas um ou dois novos títulos sendo lançados, com algumas oscilações ao longo dos anos 80 e 90. Até que, na década de 2000, atinge-se um novo patamar. Inicialmente conquistando os dois dígitos para logo em seguida começar a crescer ano a ano, em especial a partir de 2011.

Nesse gráfico, contam apenas os títulos inéditos, não foram computados republicações e nem continuações de histórias seriadas. Considerando esses outros dados, o crescimento do mercado editorial independente se torna ainda mais expressivo, como visto abaixo:

Como se pode observar, o gráfico é ascendente e deve-se levar em conta o detalhe de que se passou apenas metade da década iniciada em 2010 e já se tem mais publicações do que todos os períodos seguintes. Quadrinistas independentes apontam dois fatores como fundamentais para esse Boom na produção autônoma: a popularização da internet e o crescente número de eventos.

A internet é uma grande ferramenta de propaganda e difusão. A facilidade de criar uma página incentivou diversos desenhistas e ilustradores profissionais amadores a mostrar seu trabalho. Assim, infindáveis blogs e sites onde artistas passaram a divulgar sua arte, tirinha ou mesmo histórias em quadrinhos maiores contribuíram para que pessoas do país inteiro tomassem conhecimento de trabalhos que, muitas vezes, ficaria restrito às esferas regionais.

Além disso, plataformas de financiamento coletivo como o Catarse e o Kickante ajudaram esses artistas a publicar de maneira independente. Sem precisar de uma editora bancando e direcionando essas produções, elas crescem cada vez mais.

Embora os prêmios Ângelo Agostini e HQ Mix existam desde a década de 1980, respectivamente 1985 e 1988, estes sempre foram eventos de premiação que tem como característica nomear as melhores produções do gênero.

Artistas novatos passaram a acompanhar uma grande especialização e aumento de encontros como o mineiro FIQ (Festival do Quadrinho Nacional). Com sua primeira edição em 1999, o festival passou a ocorrer bienalmente em Belo Horizonte e reúne muitos quadrinistas ávidos por mostrar e vender seu trabalho. Além de conhecer os artistas, o público ainda aproveita diversas atividades como palestras, oficinas, lançamentos exclusivos e exposições.

No resto do país é possível identificar alguns encontros locais e regionais que se caracterizavam muito mais como feiras de vendas e trocas. Dois exemplos bem conhecidos que ocorrem em São Paulo são o Fest Comix, desde 2001; e o Mercado de Pulgas que teve sua primeira edição em 2008, mas que a partir de 2012 passou a se chamar Festival Guia dos Quadrinhos. Ambos surgiram com objetivo de reunir fãs de histórias em quadrinhos para conversar e completar sua coleção, mas que nos últimos anos começaram a também trazer atividades variadas com palestras e workshops de artistas nacionais e internacionais.

Outros eventos foram sendo criados e vem crescendo: Anime Friends em São Paulo; Gibi Con em Curitiba; e um dos maiores fenômenos de público nessa área, a Comic Com Experience em São Paulo.

Todo o mercado nacional, mas, sobretudo os artistas independentes aproveitam esses espaços para conhecer outros artistas e editores com grande possibilidade de firmar promissoras parcerias. Foi do cenário independente, por exemplo, que vieram diversos artistas que trabalharam na linha de Graphic Novels MSP que reimagina os personagens do Maurício de Sousa, publicado pela editora Panini desde 2012. Outros autores como Vitor Cafaggi teve suas tiras em quadrinhos do personagem Valente sendo republicadas também pela editora Panini.

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