Sociedade civil derruba autoritarismo de Alckmin e Voorwald pede demissão

A sociedade civil e os estudantes secundaristas de São Paulo conseguiram bloquear, momentaneamente, o fechamento de escolas de modo autoritário determinado pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB) na chamada “reorganização”. Após muita violência policial nas escolas, o governo aparentemente decidiu agora dialogar.

A reorganização escolar imposta, que seria implantada em 2016 e levaria ao fechamento de 93 escolas, foi suspensa para que seja aberto diálogo com a comunidade escolar no próximo ano. O anúncio foi feito hoje (4) pelo governador Geraldo Alckmin. “Nossa decisão é adiar a reorganização e rediscuti-la escola por escola, com a comunidade, com os estudantes e, em especial, com os pais dos alunos”, disse em entrevista coletiva. Os estudantes permanecem estudando nas escolas onde estão matriculados.

O secretário de Educação, Herman Voorwald, pediu para deixar a Secretaria após o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciar, nesta sexta-feira (4), a suspensão do projeto de “reorganização” escolar no estado. Alckmin aceitou o pedido do secretário, que estava no cargo desde 2011. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, a decisão de recuar em relação ao projeto de mudança nas escolas foi tomada sem a concordância de Voorwald.

A medida que propõe separar estudantes por ciclo escolar (fundamental 1 e 2 e médio) enfrenta resistência de alunos, pais e professores. Mais de 200 escolas foram ocupadas para reivindicar a suspensão da reorganização, que afetaria 311 mil alunos. Ontem (3), Ministério Público e Defensoria Pública entraram com um pedido de liminar para suspender a medida.

Manifestações

Nesta semana, além das ocupações, estudantes bloquearam avenidas importantes da capital paulista e foram reprimidos pela Polícia Militar. Ontem (3), seis jovens foram detidos e três permaneceram presos e, entre as acusações, estava corrupção de menores. Hoje (4), novos protestos ocorreram na Avenida Paulista, e a PM usou bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para reprimir os estudantes.

Alckmin reforçou que está convicto de que a reorganização é a uma medida importante para a melhoria do ensino, mas que atenderá ao pedido dos estudantes. “Recebi a mensagem dos estudantes e dos seus familiares com as suas dúvidas e preocupações com relação à reorganização das escolas no estado de São Paulo”, afirmou. Ele deixou a coletiva sem responder a perguntas dos jornalistas. (Carta Campinas/Agência Brasil)

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