Machismo e preconceito se combatem no dia-a-dia, até nas rodas de amigos

Por Luana Mestre

Aplaudir a ocupação das mulheres em espaços de homens em veículos de opinião durante uma semana, sustentada pelo movimento #AgoraÉQueSãoElas, exprimir opinião nas redes sociais favorável ao aborto, são iniciativas louváveis. É preciso falar sobre, é necessário. Uma sociedade que está diante de um retrocesso como o Projeto de Lei 5069, de autoria do Deputado Eduardo Cunha (que sabe-se lá o motivo ainda continua presidindo a Câmara), não deve se omitir, não deve ficar calada. Tem que falar, criar um escândalo, como diria a youtuber Jout Jout.

Mas não é só isso. Tem que combater até nas rodas de amigos. Me pergunto quantos homens que se dizem “preocupados” com os direitos das mulheres repreendem os amigos transfóbicos que insultam as mulheres trans, por exemplo, (ou que se não repreendem, se afastem – pelo menos, dessas pessoas). Me pergunto quantos são os homens que repreendem os amigos quando eles fazem uma piada grosseira sobre uma mulher (porque nunca é “só uma piada”). Me pergunto quantos homens estão realmente preocupados em combater isso no dia-a-dia, repreendendo as etiquetas, os estereótipos e xingamentos (“a puta”, “a vaca”, “a burra”).

Além dessas, tenho outras dúvidas… Me pergunto quantos são os homens que no ambiente de trabalho respeitam a posição hierárquica da mulher e não questionam sua liderança. Me pergunto quantos são aqueles que não colocam a culpa na TPM quando a mulher está brava com eles por alguma razão. Me pergunto quantos são os homens que percebem sua posição de privilegiados e cedem todos os dias a palavra para que uma mulher fale, sem interrompê-la, sem satirizá-la. Me pergunto quantos homens percebem que estão sendo machistas e pedem desculpas imediatamente.

São muitos os questionamentos… E é realmente triste ver a posição de muitos homens. Eu combato sempre que ouço algum preconceito, de qualquer natureza. Algumas pessoas devem me odiar por isso. Já chegaram a me perguntar se eu gosto mesmo de homens quando me posicionei contra o machismo, a favor do aborto, e a favor também de que as pessoas devem ser livres para amarem quem quiserem – seja do sexo oposto ou não. Isso não vem ao caso, mas para ser franca – bem franca mesmo – está cada vez mais difícil gostar de (muitos!) homens. E isso é culpa deles. Não está dando pra engolir muitas coisas: o retrocesso, homens vereadores fazendo moção de repúdio à Simone de Beauvoir, pseudo-humoristas satirizando mulheres na televisão (por que eles continuam lá?), homens administrando páginas escrotas no Facebook, cantadas idiotas… E por aí vai. Só quem lida com isso no dia-a-dia pra entender – de fato. Então, quer ajudar de verdade? Seja um real combatente e repreenda seus amigos (até os preconceitos disfarçados de piada).

Luana Mestre é jornalista
Veja mais:
Não é engraçado, é falta de empatia

Recent Posts

O armário de Tarcísio e o caos em SP com privatização de serviços básicos

(imagem - chatgpt e govsp) As explosões dos trens das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade,…

2 hours ago

Duo apresenta concerto inspirado no Movimento Armorial, de Ariano Suassuna

O concerto “Armoriando”, com a violinista Ana de Oliveira e o violonista e compositor Sérgio…

2 hours ago

Conselhos do Meio Ambiente de Valinhos e Campinas se unem pela Fazenda Remonta

As conselheiras Tereza Araújo e Juliana Freitas durante reunião do CMMA de Valinhos/SP, no dia…

8 hours ago

Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo está de volta a Campinas com seu rock experimenal

(foto divulgação) A banda Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo traz sua mistura…

10 hours ago

Exposição retrata as transformações de Campinas em fotos e pinturas

Catedral de Campinas em imagem que faz parte da mostra (foto Osvaldo Furiatto - divulgação)…

10 hours ago

Mentira deslavada é o método de Trump e Flávio Bolsonaro para tarifas e eleições

(imagem reprodução) A tarifa adicional de 25% aplicada pelo governo dos EUA, Donald Trump, sobre produtos brasileiros…

1 day ago