Fiocruz faz pesquisa com compostos elaborados pelo Nobel de Medicina 2015

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolve pesquisas com amostras de compostos que foram produzidos a partir dos estudos de um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina 2015, Satoshi Omura. Em 2011 foi assinado um acordo de colaboração entre o Instituto/Universidade Kitasato (KI), do Japão, e o Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz). Os estudos estão sendo feitos na unidade da fundação em Belo Horizonte.

Segundo o diretor do CDTS, Carlos Morel, que desenvolveu com Omura um trabalho científico relacionado à oncocercose, conhecida como cegueira dos rios, foram recebidas 400 amostras de compostos, todas da família de drogas desenvolvidas pelas equipes no Japão, como a avermectina. Com isso, é possível verificar a eficácia delas contra outros tipos de doenças que são encontradas no Brasil. “Com essa droga se dá uma cápsula por ano e se acaba com todos os parasitas”, informou.

Para o integrante da Academia Brasileira de Ciências e ex-presidente da Fiocruz, se existe uma droga modelo e outras relacionadas, é provável que elas possam ter também alguma ação contra doenças parecidas como, por exemplo, a malária, doença de Chagas e esquistossomose. “Quando se tem uma série de doenças sem remédio algum, é preciso buscar solução em áreas em que se pode ter sucesso e a escolha do grupo do Omura, no Japão, foi justamente pelo sucesso que teve no tratamento da cegueira do rio e da filariose”, afirmou.

Na opinião do diretor, o Prêmio Nobel da Medicina de 2015, concedido aos pesquisadores William C. Campbell, do Canadá, e Satoshi Omura pela descoberta de drogas usadas no combate a verminoses como a oncocercose e a filariose, e à chinesa Youyou Tu, é um reconhecimento dos resultados relevantes contra essas duas doenças, especialmente em países mais pobres da África.

Morel contou que, no Brasil, a filariose, também conhecida como elefantíase, era mais encontrada na região do Recife e de Olinda, em Pernambuco, além de Alagoas e um pouco em Belém, mas que o número de infectados está caindo. “As pessoas ficam com pernas imensas, pesadíssimas e praticamente incapacitadas. Essa droga pode também tratar essas pessoas de maneira eficiente e barata. Foi um prêmio [Nobel] que reconheceu a importância da descoberta e levou novas drogas para doenças que antes não tinham nenhum tratamento e eram chamadas negligenciadas, porque as companhias farmacêuticas não se interessavam por isso”.

Malária

De acordo com o diretor do CDTS, a descoberta de Youyou Tu sobre novas terapias contra a malária, representou uma mudança no tratamento da doença. “Hoje em dia, a malária é tratada com a combinação de medicamentos e um deles é a artemisinina, que é a descoberta da chinesa”, disse.

O pesquisador da Fiocruz contou que atualmente todo o tratamento de malária é feito com duas ou três drogas, sendo que uma delas sempre é a artemisinina porque é a mais poderosa. “Com isso, puderam ser tratadas milhões de pessoas na África que antes não tinham tratamento nenhum ou eram assistidas com drogas que já estavam sem efeito por causa da resistência aos medicamentos”, acrescentou. (Agência Brasil/ Cristina Índio do Brasil)

 

Recent Posts

Mulheres querem independência financeira e saúde mental, diz pesquisa sobre trabalho

(imagem ilustrativa - marcelo camargo - ag brasil) Ter autonomia financeira para decidir sobre a…

5 hours ago

Brasil tem crescimento expressivo de ataques contra a mulher e aumento da violência sexual

(imagem reprodução) A cada 24 horas, 12 mulheres, em média, são vítimas de violência em…

1 day ago

Unicamp promove Oficina gratuita online com foco nas mulheres na ciência

(imagem divulgação ifgw) Em celebração ao Dia Internacional das Mulheres, o Instituto de Física Gleb…

2 days ago

Inscrições para cursos gratuito de palhaçaria, bambolê e malabarismo estão abertas

(foto leca ramos - divulgação) As inscrições para o curso gratuito “Circo em Jogo –…

2 days ago

Coletivo de Mulheres Anelo e convidadas comemoram o 8 de março com jam session gratuita

Vih Mendes (foto cláudio alvim - divulgação) No próximo domingo (8), data em que se…

2 days ago

Monólogo ‘Quando Falta o Ar’ leva ao palco a resistência feminina diante da opressão

(foto firmino piton - divulgação) O espetáculo "Quando Falta o Ar" será apresentado neste domingo,…

2 days ago