Um gráfico desagradável: Brasil salva bebês e entrega aos leões

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a mortalidade infantil no Brasil caiu 73% nos últimos 25 anos. O índice de mortes entre crianças brasileiras menores de 5 anos passou de 61 óbitos para cada mil nascidas, em 1990, para 16 óbitos para cada mil nascidas vivas em 2015. A informação consta do relatório Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil 2015, divulgados nesta quarta-feira (09/08).

Se compararmos com os anos 80, quando a média da mortalidade infantil no Brasil era de 83 por mil nascimentos, vê-se que o Brasil avançou de forma consistente.

Ao mesmo tempo, nesses mesmos 35 anos (1980-2015), o número de homicídios no Brasil cresceu de 11 para cerca de 33 por 100 mil habitantes. É uma das mais altas do mundo. Ou seja, o Brasil salvou bebês e os entregou aos leões ao não investir de forma pesada e intensa entre os 5 e os 20 anos.  Crianças, adolescentes e jovens de famílias pobres foram salvos da morte na primeira infância e abandonados à desigualdade social e sem as mínimas e decentes condições básicas de saúde, moradia e, principalmente, educação.

No gráfico ao lado é possível ver a linha de crescimento do número de homicídios e a linha de redução da taxa de mortalidade infantil. Os avanços na taxa de mortalidade não acompanharam as crianças após os cinco anos de idade. Isso pode ser constatado na péssima escola pública oferecida à população mais pobre, e que paga mais impostos proporcionalmente, mesmo nos estados mais ricos da federação como São Paulo e Rio de Janeiro.

Nos países desenvolvidos, a taxa de mortalidade infantil é de 5 por mil nascidos. Isso significa que as taxas brasileiras poderão cair ainda mais nos próximos anos.  A crianças indígenas que vivem no Brasil, por exemplo, têm duas vezes mais chance de morrer antes de completar o primeiro ano de vida que as demais. (Glauco Cortez)

 

 

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