Aceitamos ou não o PT no clube? That’s the question do impeachment

Há uma grande dúvida na elite brasileira. E elite aqui não é a classe média que bate panela e tem medo do comunismo. Que horror! Veja bem. Estamos falando de gente mais atenta, dos grandes grupos de mídia, dos grandes industriais, dos grandes bancos etc. Estamos falando de quem tem PIB, de alguns grupos que praticamente controlam a economia do país.

A dúvida dessa elite poderosa é o impeachment, ou melhor, a dúvida é: “aceitamos ou não o PT no sistema eleitoral corrupto que temos? Ou corremos o risco financeiro de uma grande crise como o golpe travestido de impeachment?”

Essa divisão da elite, essa dúvida cruel está na nota da Federação das Indústrias de São Paulo e do Rio Janeiro contra a instabilidade política. Ela também está no editorial do jornal das organizações Globo contra o impeachment. Há uma incerteza, uma dúvida na elite brasileira, e essa é a verdadeira crise. PT ou not PT?

No entanto, e aí continua a dúvida, para muitos do poder econômico o PT não é confiável. Apesar de fazer a política rezada pelos setores da Casa Grande, em algum momento pode estabelecer políticas que os prejudiquem. Vide as tentativas de Dilma Rousseff no primeiro mandato com a redução do valor da energia elétrica e dos juros bancários.

Além disso, Dilma parece não mexer uma palha para evitar as investigações contra a corrupção. Que horror! Os Cunhas que o digam.

Para outros, principalmente os partidos políticos mais à direita, o PT é uma ameaça, visto que lhe rouba o espaço e controle econômico e político com melhores políticas públicas.

É essa dúvida também que alimenta a Operação Lava Jato, segundo o cientista político, Wanderley Guilherme dos Santos. Para ele, o PT tentou entrar no clube dos corruptos e se deu mal.

“A Operação Lava Jato é a revelação de que o Partido dos Trabalhadores cedeu à tentação de patrocinar e se beneficiar das relações espúrias entre interesses de grupos privados e iniciativas públicas. Faz parte da história intestina de todas as sociedades acumulativas o vírus da predação, do suborno, do saque, da extorsão e da violência em busca de vantagens além dos méritos competitivo…A caça ao intruso foi imediata. A cada política em benefício dos miseráveis, mais se acentuava a perseguição ao novo jogador, insistindo em reclamar parte do botim tradicional da economia brasileira. A penetração do PT na associação das elites predadoras era encoberta pelo compromisso real de muitos de seus quadros com o destino dos carentes. E assim como os grandes capitães de indústria, pelo mundo a fora, os nossos também cobraram uma exploração extra, uma vantagem desmerecida, uma nova conta na Suiça em troca dos empregos criados, da produção aumentada, do salário menos vil. Mas assim também como os operadores tradicionais, os petistas se entregaram à sedução da sociedade acumulativa: o roubo com perspectiva de impunidade” (texto integral)

 

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