Mobilização dos movimentos sociais desta quinta, 20, tem pelos menos cinco pautas

Guilherme Boulos

A manifestação que deve acontecer nesta quinta-feira, 20 de agosto, não será uma simples oposição às manifestações do último domingo.

Pelo menos cinco pautas estão em discussão entre os movimentos sociais: 1) defesa da democracia e contra o golpe; 2) contra o ajuste fiscal do governo; 3) contra a agenda conservadora de Eduardo Cunha; 4) Contra a ‘Agenda Brasil’ de Renan Calheiros e 5) Por Reformas Populares.

A manifestação está programada para acontecer em várias capitais e também em Campinas, em frente a Catedral, a partir das 17h.

Veja abaixo artigo de Guilherme Boulos, líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), que é um dos grupos atualmente de maior poder de mobilização popular, e que discute reivindicações da mobilização.

As mobilizações de 20 de Agosto

Por Guilherme Boulos

Nesta quinta-feira, 20/8, milhares de trabalhadores e trabalhadoras tomarão as ruas do país por uma pauta de esquerda, contra o avanço conservador e o ajuste fiscal. O Manifesto Nacional, assinado por dezenas de movimentos sociais, é claro em relação aos objetivos do ato (facebook.com/events/873549372734912/).

Os três eixos da convocatória são: 1) Contra o ajuste fiscal, que os ricos paguem pela crise; 2) Fora Cunha, não às pautas conservadoras e o ataque aos direitos; e 3) A saída é pela esquerda, com o povo na rua e por Reformas populares.

Os movimentos acrescentaram ainda à pauta a rejeição clara aos retrocessos da tal Agenda Brasil – um pacto entre os de cima e contra os trabalhadores – reafirmando como contraponto uma agenda popular: Taxação das grandes fortunas e do lucro dos bancos, auditoria da dívida pública e reformas populares.

Mas a clareza do Manifesto não foi suficiente para evitar confusões e tentativas de desvirtuar o caráter da mobilização. Pela contraposição em relação aos atos puxados pela direita em 16/8, alguns – tanto entre organizações convocantes, quanto entre os sectários de plantão – apressaram-se em dizer (contra o própria convocatória do ato) que seria uma mobilização de defesa do governo Dilma.

Vejamos como chegaram a isso.

De um lado, é verdade que surgiram uma série de convocatórias paralelas reduzindo o ato à “luta contra o golpismo”, sem falar de ajuste, direitos e mesmo defendendo o governo Dilma. Alguns dos movimentos que participam da organização do ato chegaram a compor estas convocatórias. E isso levou ao fato de que em uma série de capitais do país não haverá ato unitário, mas sim dois atos. Um seguindo o Manifesto nacional, outro estritamente “contra o golpismo”.

Este é um fato notório para os que estão acompanhando a organização do dia 20 e publicizado em convocatórias diferentes – no local, horário e conteúdo – em algumas das cidades que terão mobilizações. Uma demonstração clara de que, onde o tom da mobilização não seguiu a unidade política do Manifesto nacional, ela se dividiu.

Mas, de outro lado, esta disputa real pelo significado do ato do dia 20 está sendo utilizada por grupos sectários da esquerda para carimbar o ato, e conseqüentemente o MTST, como governistas.

Nenhuma novidade quando se trata dos puristas de sempre. Seu grande orgulho é não se misturar com os outros. Fogem de ambiguidades, de riscos políticos, ou seja, da história. Dedicam a maior parte de seu tempo não a fazer política de esquerda, mas a criticar quem faz por não ser “suficientemente de esquerda”. O resultado é a mais completa impotência política. Vivem a dizer o que os outros devem fazer, para onde devem mobilizar, mas quanto a eles, não conseguem mobilizar nem seus vizinhos na defesa de suas ideias. Vivem de sonhar que um dia as massas cairão em seu colo.

Quanto a nós, estaremos nas ruas no dia 20. Os atos unitários, incluindo o de São Paulo, terão um tom claro contra a direita e o ajuste fiscal do governo. Também contra a Agenda Brasil.

Este é o ponto que demarca a unidade, diante da diversidade de orientações políticas dos movimentos que estão nesta Frente. Na Frente de Mobilização que vem sendo construída por vários movimentos sociais desde 2014 e que organizou dias de luta como o 15/4, o 25/6 e agora o 20/8, cabem todos aqueles que queiram lutar contra a ofensiva da direita e de Cunha, contra o ajuste fiscal do governo Dilma e por uma saída à esquerda para a crise.

Esta alternativa popular e unitária sairá fortalecida das mobilizações do dia 20.

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