De acordo com os petroleiros, o novo plano de desinvestimento é uma ameaça clara à sobrevivência da empresa como estatal, na medida em que prevê cortes de 89 bilhões de dólares em investimentos e despesas, além da venda de ativos de patrimônio da ordem de 57 bilhões de dólares.
Para eles, a greve nacional de 24 horas é uma advertência da categoria à atual política da gerência que pode desmantelar o Sistema Petrobrás, pondo em risco milhares de empregos, especialmente os dos terceirizados da companhia e suas subsidiárias.
A paralisação também repudia o Projeto de Lei do Senado (PLS) 31/2015, que muda o regime de partilha na exploração do pré-sal. A proposta do senador José Serra (PSDB-SP) retira a obrigatoriedade de a Petrobras entrar com aos menos 30% dos investimentos na perfuração dos blocos e ser a operadora única da camada do pré-sal, conforme determina a Lei de Partilha nº 12.351/2010.
A paralisação na Replan começou na noite de ontem (23.07) com o corte na rendição do turno das 23h30. Na manhã de hoje, em apoio aos petroleiros, os terceirizados atrasaram em duas horas a entrada na refinaria. A mobilização segue pacífica e termina hoje à noite.
Ailton Menezes, dirigente do Sindicato da Construção Civil, entidade responsável pela maioria dos terceirizados, falou sobre a importância dessa paralisação. “Estamos vivendo uma crise política e temos que buscar saídas para que o Brasil volte a crescer. Com certeza, o plano de desinvestimento e o projeto de José Serra não são as saídas, já que privatizar a Petrobrás só vai aumentar o desemprego no país”, afirmou.
Segundo o diretor do Unificado Arthur Bob Ragusa, o projeto de Serra vai precarizar ainda mais a situação dos trabalhadores. “Se esse projeto tiver sucesso, haverá empresas estrangeiras na exploração do pré-sal. Como faremos para fiscalizar o fluxo de caixa e as condições de trabalho?”, questionou. Bob comentou ainda que a maioria das plataformas estrangeiras é terceirizada. “E terceirização significa piores condições de trabalho, jornada maior, salário menor, mais mortes e doenças e fragilidade do emprego”.
Os sindicalistas permanecem de plantão nas principais portarias da Replan. A greve segue até às 23h30 de hoje, quando será normalizada a troca de turno. (Carta Campinas com informações de divulgação)
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