Pessimismo dos brasileiros não atingiu estrangeiros que vivem no País

Da esq. para a dir. em sentido horário: Tomás, Christopher e Ana Carolina

Por Marina Shulby

Diferente de muitos brasileiros, alguns dos estrangeiros  que vivem aqui estão bem mais otimistas com o Brasil. O ajuste fiscal, o aumento de tributos e a queda no crescimento do Produto interno Bruto (PIB), tem gerado uma grande preocupação.

Nos últimos meses milhares de brasileiros manifestaram o descontentamento contra a corrupção e a administração do país. Todavia, sob o olhar de pessoas que já vivenciaram períodos intensos de crise em outros países, tal acontecimento é encarado com naturalidade, como um momento de aprendizado e reflexão.

Nascida em Uruguai, Ana Carolina Moscardi trabalha como recepcionista no Hotel Matiz em Campinas. Ela morou na Espanha e mudou para o Brasil no período de crise europeia. “Não acho que o Brasil vai chegar no ponto de não ter nenhum tipo de trabalho, aqui tem muito serviço, não vejo chegar em uma crise tão forte como na Espanha.”

Carolina enxerga o brasileiro com uma atitude mais positiva perante as situações de dificuldades. “O caráter, clima e a cultura das pessoas ajudam a não entrar nessa nuvem negra que a Europa está.”

O norte-americano Christopher Shulby, que tem ascendência alemã, mudou para o Brasil no período de crise dos Estados Unidos e trabalha como Linguista Computacional no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) em Campinas. Ele acredita que a situação do Brasil ainda está melhor do que lá fora. “O brasileiro tem o costume de reclamar de tudo em seu país, no geral ele acha que tudo do exterior é melhor. A crise faz parte de um ciclo, ela vai passar. Segundo ele, adotar uma atitude mais positiva e procurar alternativas nesse momento vai ajudar.

O dominicano Tomas Cáceres, professor aposentado de economia da Unesp de Assis, reside há trinta e sete anos no Brasil. Ele acredita que é preciso assumir uma atitude crítica perante o interesse político em manipular a opinião publica a favor de interesses partidários. “Em situações de crise, alguns ajustes são normais, é preciso ajustar a conta pública, o superávit primário não foi o que se esperava, mas em algum período pode acontecer déficit, o que não pode é se tornar rotineiro.” Ele vê que o Brasil não está em uma situação de calamidade econômica e pode sair dessa situação sem precisar realizar um ajustamento que leve a queda do nível das atividades econômicas.

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