Número de mortes de mulheres e de abortos diminui com descriminalização

Carmen Barroso –

A descriminalização do aborto em países como Uruguai e México tem permitido uma compreensão do que acontece com a mudança da legislação, sem preconceitos e fantasias de fundamentalistas religiosos.

Um das maiores especialistas no assunto, a brasileira Carmen Barroso, assessora da ONU para questões e sexualidade, afirmou em entrevista ao programa Espaço Público (TV Brasil) que há duas mudanças com a descriminalização: redução do número de abortos e redução da mortalidade materna. “O México praticamente zerou a mortalidade materna após a descriminalização”, afirmou.

Essas experiências têm demonstrado que lei que criminaliza o aborto é, na realidade, uma lei que serve para matar mulheres e aumentar o número de abortamentos, além de uma série de problemas físico e psíquicos decorrentes dessa situação.

Além disso, países que aprovaram há bastante tempo a descriminalização do aborto tem em geral baixo índice de homicídios. Há uma relação estatística entre países violentos e criminalização do aborto. (Link)

Em vídeo, a psicóloga Rosângela Talib, da ONG, Católicas pelo Direitor de Decidir, também fala sobre a questão no Brasil e Uruguai, que aprovou legislação que descriminaliza o aborto. Veja abaixo texto e vídeo.

Toda mulher que recorre ao aborto, como último recurso frente a uma gravidez indesejada, o faz com sofrimento. Em países onde precisa fazê-lo clandestinamente, por ser criminalizado, o sofrimento é ainda maior. É o caso do Brasil, onde anualmente cerca de 250 mil mulheres são socorridas nos hospitais do SUS em decorrência de aborto inseguro, e estima-se que um milhão sejam praticados. Já em países onde é legalizado o número de abortamentos cai verticalmente.

“Descriminalizar o aborto significa excluí-lo do Código Penal e deixar de ser crime. Mas é preciso que seja legalizado, para que se tenha a possibilidade de atendimento nos serviços de saúde.” Quem fala é Rosângela Talib, psicóloga e mestra em Ciências da Religião (Umesp), da ONG Católicas pelo Direito de Decidir, que defende a legalização do aborto, a igualdade de gênero e o Estado laico.

Ousadas, as Católicas erguem-se contra as consequências nefastas dessa tentativa de controlar o corpo feminino. “São as mulheres pobres e negras as mais penalizadas, pois são levadas a buscar clínicas clandestinas sem condições para realizar a interrupção. As mulheres que têm dinheiro podem fazê-lo em países onde é legalizado ou em clínicas adequadas, sem colocar em risco a vida e a saúde reprodutiva” – afirma.

Há na Câmara projetos que pretendem endurecer a lei, tornando o aborto crime em qualquer circunstância – até crime hediondo, proibindo, como no Chile, qualquer abortamento, mesmo que a gravidez resulte de estupro ou coloque em risco a vida da mulher.

Os abortos clandestinos são realizados em locais com pouca ou nenhuma higiene e por pessoas não capacitadas, podendo causar dor e morte – além de custo ao sistema de saúde. Enquanto isso, o vizinho Uruguai (que escolheu a legalização no fim de 2012) não registrou mais nenhuma morte em decorrência dessa prática e reduziu de 33 mil para 4 mil o número de abortamentos anuais. Junto com a legalização, vieram políticas públicas de planejamento familiar, educação reprodutiva e sexual, métodos contraceptivos.

“Descriminalizar e legalizar o aborto traria a questão para onde ela já deveria estar: o campo da saúde sexual e reprodutiva da população. Tiraria da mulher essa grande carga de pensar que a interrupção da gravidez é um ato criminoso. O que essas mulheres precisam é de respaldo social” – afirma a psicóloga.

Assista a entrevista que Rosângela Talib concedeu ao DoisP, programa do Coletivo Candeia. (Outras Palavras Net)

View Comments

Recent Posts

Vini de Oliveira, da direita, é condenado por fake news contra flotilha e vereadora

(foto global sumud flotilla) A Justiça condenou o vereador de Campinas Vini de Oliveira (Cidadania)…

10 hours ago

Educadores podem inscrever projetos que fortalecem o diálogo nas escolas até o dia 30 de abril

Professora e intérprete de Libras Michelle Gonçalves Dinamarco, vencedora do concurso em 2025 (imagem divulgação)…

11 hours ago

Coletivo de fortalecimento feminino na literatura marca presença no Flipoços 2026

(imagem divulgação) Coletivo de fortalecimento feminino através da literatura marca presença no Flipoços 2026 com…

11 hours ago

Projeto quer a população na gestão e decisões sobre parques e áreas verdes de Campinas

Bosque dos Jequitibás (foto rogério capela - arquivo pmc) Um Projeto de Lei Ordinária (PLO)…

13 hours ago

Bolsonarinho 01 tem plano de congelar investimentos em educação e saúde da população

(foto pedro frança - senado federal) O Bolsonarinho 01 (PL) , o filho mais velho…

15 hours ago

Casa do Sol abre as portas para a terceira edição das Hilstianas; confira a programação

(foto nina pires - divulgação) A Casa do Sol, em Campinas, se transforma novamente em…

17 hours ago