Enquanto escrevo tem gente sendo assassinada na Nigéria. No Brasil também, óbvio. Mas, lá há um ingrediente de perversidade que rompe qualquer limite de compreensão humana. Estuprar quinze vezes ao dia uma garota é algo que por si deveria mobilizar o mundo. Mas, isso não acontece. Quem se importa?
Nem os ricos, nem os subdesenvolvidos, nem os pobres. Se não pisa no meu calo, tá tudo certo. No máximo, demonstro minha indignação aos amigos e colegas, curto uma mensagem de alerta no Facebook.
E eu escrevo pra quê? Não há novidade em minhas palavras. A poesia se alimenta da dor humana, mas não de desumanidade. O terror destrói o conceito de animalidade e humanidade. E se alimenta da covardia dos que aprenderam a assistir de camarotes ou arquibancadas os espetáculos hediondos que artistas demoníacos montam sobre nossas cabeças duras.
Eu ainda não consegui chorar ao ver as imagens do horror que se multiplica pelo mundo e mata gente de todo tipo e condição. Eu ando engasgada. Não rezo pelas vítimas. Não grito nem saio do meu casulo para lutar contra a barbárie que se alastra. O cotidiano é árido e me absorve demasiado. O calor excessivo me derruba. Compro sorvetes a granel e vou chupando, num intimismo sórdido, enquanto a história queima.
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