Naquele dia de céu vasto e claro,
de muitos frutos e folhas secas
acumuladas sobre o chão.
E porque a solidão dentro de mim
era velha e ainda nova,
a incompletude de meus anos
conduzia-me ao que talvez
fosse a minha perdição.
Posto que não resisti ao narciso muito branco.
E arranquei-o da terra,
não, não tive qualquer tipo de hesitação.
Mal este ato terminado
senti um tremendo tremor
e se avultou diante de mim
o abismo.
Com a força de um acúmulo de eternidades,
uma de suas mãos enlaçou-me
pela cintura. No mesmo instante,
eu pude sentir vagamente
os dedos da outra
fincados sobre minha coxa
receosos de que eu,
por um instante, escapasse
ao seu ávido desejo de levar-me.
Não pude divisar sua face por mim repelida
e apenas lancei um grito
longo constante e estridente,
que soou como mais um silêncio
no quieto universo.
E quando a densa névoa escura
inundou meus olhos,
por entre as dormentes sombras de seu corpo,
pude ver
e escapou-me dos lábios um suspiro de morte.
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