Unicamp mantém por um voto título de honra para ex-ministro da ditadura

O Conselho Universitário (Consu) Unicamp manteve o título de Doutor Honoris Causa concedido em 1973, durante a ditadura civil-militar, ao coronel Jarbas Passarinho, que foi ministro dos governos militares. A manutenção do título aconteceu na última reunião, no dia 5 de agosto, após quatro centros da Unicamp (Faculdade de Educação, Instituto de Arte, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e Instituto de Estudos da Linguagem) terem pedido a revogação do título.

Jarbas Passarinho

A votação do Conselho Universitário não revogou o título pela diferença de apenas um voto; como o regimento interno do Conselho exige 2/3 do total de 75 membros, a solicitação das quatro congregações não foi aprovada, pois obteve 49 votos (docentes, funcionários e estudantes), enquanto 20 docentes (10 contra e 10 que se abstiveram) impediram a revogação do título.

Em texto, o professor e cientista político, Caio de Toledo, lembrou que o pedido das congregações da Unicamp aconteceram por causa da atuação como ministro. Para ele, a atuação do coronel Jarbas Passarinho teria sido nefasta para a educação e a cultura brasileiras durante os anos em que fora Ministro do Trabalho e da Educação e Cultura. “Entre os atos, sob sua inteira responsabilidade, poderiam ser citados: a aprovação do AI 5, que cassou pesquisadores e docentes; o decreto 477, que puniu estudantes; o desmantelamento do ensino público e o apoio à privatização das universidades; a punição a sindicalistas; a criação das Assessorias de Segurança e Investigação nas universidades etc. Digno de ressaltar, afirmavam as Moções, é o fato de o coronel Jarbas Passarinho, passados 50 anos do golpe militar, jamais ter feito a autocrítica de sua trajetória política e ideológica; ou seja, hoje, continua justificando o arbítrio e o terror de Estado representados pela ditadura militar (1964-1985)”.

“Uma Nota da Comissão da Verdade e Memória “Octávio Ianni” da Universidade – apoiando a solicitação discutida no Consu – ponderava que a revogação do título por parte do Conselho Universitário significaria o reconhecimento de que a Universidade Estadual de Campinas estaria se associando às iniciativas que, hoje, em todo o país, buscam – no plano simbólico – questionar alguns dos nefastos legados da ditadura militar. Não se pode senão concluir que os 20 docentes da Unicamp – que tiveram um papel decisivo na votação – impediram que a Unicamp fizesse a autocrítica de um episódio de seu passado que continua a não engrandecê-la e nem a dignificá-la como instituição que se afirma democrática e cultivadora do pensamento crítico”.

 

Recent Posts

Traidores da pátria não vão transformar o Brasil em quintal dos EUA, indica Lula na ONU

(imagem ricardo stuckert - pr) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender…

26 minutes ago

Feira de Barão Geraldo comemora 24 anos com teatro circense e bandas Sambaki e Zeppers

(imagem divulgação) A Feira de Barão Geraldo em Campinas comemora 24 anos de história com…

58 minutes ago

Entre memórias e questões filosóficas, nem tudo é o que parece em ‘Experimentos do Invisível’

(foto ricardo avellar - divulgação) A lembrança de um antigo espetáculo de mágica é o…

4 hours ago

Adolescentes da Vila Brandina transformam cotidiano e território em fotografia em mostra inédita

(foto PAC - divulgação) Olhares de adolescentes sobre o cotidiano, as pessoas e o território…

5 hours ago

Sinfônica apresenta concerto dedicado a óperas de Carlos Gomes e compositores italianos

(foto carlos bassan - arquivo pmc) A Orquestra Sinfônica de Campinas apresenta um programa dedicado…

5 hours ago

Flávio Bolsonaro destinou R$ 200 mil para condenado no assassinato de Marielle Franco

(foto beto barata - ag senado) O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) destinou quase R$ 200…

19 hours ago