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Jerci Maccari insere sua arte em uma modernidade de cores, rostos e objetos

Em paisagens de cores várias, vê-se homens e mulheres com um rosto limpo, sem olhos, boca ou nariz, mas cuja expressão forte lhes é emprestada pelas mãos, pelos gestos, pelo corpo, pelos campos geometrizados que se levantam ao seu redor. Guarda-chuvas que trazem algo de bastante moderno, e evocam outros guarda-chuvas da arte moderna como os de Oswaldo Goeldi; trabalhadores que ceifam as plantações e colhem uvas, e que parecem trazer algo dos trabalhadores de Portinari, ou dos personagens indefinidos de Lasar Segall.

Moderna em suas formas, cores e cenas, a arte de Jerci Maccari ao mesmo tempo que se insere em um tom provinciano e rural, se expande, extrapola para cenas que trazem algo de universal, como uma conversa, que parece suspensa, entre casais e homens que descansam sentados no chão, ou um simples passear leve de mulheres sob a sombra de outros guarda-chuvas amarelos, verdes, roxos e azuis.

O artista, natural de Urussanga/SC, que atualmente vive em Valinhos, SP, ilustra esse mês o site Carta Campinas, como parte do projeto Carta Campinas Visuais.  A modernidade, logo percebida em suas obras, foi algo que, de certa forma, influenciou sua trajetória como artista.

Desde criança e na idade escolar, Jerci tinha uma queda para o desenho e as brincadeiras com lápis de cor. Em 1970, quando então passa a viver em Valinhos, recebe orientação de Sebastião Guimarães, conhecido como “Tião Guimarães”, artista figurativo acadêmico, que logo percebeu que seu novo aluno nunca seria um artista propriamente “acadêmico”.

Era modernista nato, já estava pronto para se aventurar no mundo das artes contemporâneas e/ou moderna, por ter uma forte formação “autodidata”. Honesto em suas avaliações, “Tião” preferiu perder o aluno e ficar com o amigo, incentivando-o a perseguir o seu rumo modernista. Jerci então se integrou ao movimento artístico plástico modernista de Campinas.

Hoje, o artista possui um currículo com mais de uma centena de participações em atividades artísticas plásticas, exposições individuais, individuais simultâneas, salões oficiais, coletivas, júris, organização de eventos, e outras. Cerca de 52 cidades do estado de São Paulo já receberam suas participações. Entre as realizações do artista também estão muitas oficinas livres de pintura, bem como a produção de murais de grandes dimensões.

Tão ricas quanto sua trajetória se fazem suas imagens, em que forma e conteúdo parecem cair juntos, muito mais mostrando do que dizendo, o que, mais uma vez, o coloca no caminho da modernidade artística em suas zonas de indefinição, em sua multiplicidade, na muitas vezes oscilante sensação que temos diante de uma imagem como a das avós e da neta. Uma imagem que poderia ser uma simples cena do cotidiano, mas lembra um palco, com uma tela projetada ao fundo, onde desce, com grande força, todo o mundo no qual desempenham seus papéis aquelas mulheres jovens e velhas.

(Maura Voltarelli)

As Avós e as Netas
Semeadoras II

Cultura Carta

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