Uma sacerdotisa a sibilar
seu canto em um corpo de volúpia.
Assim como as inspiradas por Apolo
eleva-se no equilíbrio
e dança
como quem pisa em pétalas
leve e serena.
Toda vestida de branco
imersa e refeita em luz
aérea.
Mas eis que surge um incêndio
no seio das mansas árvores
agora violentas.
Porta a tua flor rubra
pinta tua boca e tuas faces
aguça teu ávido olhar
e dança
derramando sobre si o vinho
assim como as extasiadas por Dionisio.
Arrebente os princípios
habite o instante do raro frêmito
aquele encontro desejado
em que somos um e o outro
no mesmo tempo.
É ela que sabe
fascinar porque experimenta
o desafio da coexistência
e se faz harmoniosa e suplicante
contida e derramada
por um instante
dança para a vida
por outro
corre para a morte
e começa
o nascimento da sua tragédia.
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