A partir do romance de Thomas Mann, o filme apresenta o rigor artístico peculiar de Visconti. O personagem central é o compositor Gustave Aschenbach, que viaja para Veneza buscando descanso em meio a uma crise existencial. Mas não encontra a paz que procurava, pois logo se apaixona por um belo garoto adolescente, Tadzio. A beleza do rapaz ao mesmo tempo atrai e oprime o compositor. Esse fascínio pelo belo, a busca do sublime e do perfeito se contrapõe à epidemia que ataca a cidade, à pobreza que o cerca, à tudo que se afasta dos ideais estéticos. Tudo faz com que o compositor se sinta mais incompatível com o mundo, acentuando sua crise. Com Dirk Bogarde e Silvana Mangano. França/Itália, 1971. Colorido, 130 min.
O romance Morte em Veneza, publicado em 1912, trata, segundo Mann, da perda da dignidade do artista, mas o autor também examina a relação entre arte e vida. Aschenbach crê que com trabalho e disciplina possa dominar a vida e até moldá-la em arte. Mas o Dionísio em Tadzio, inspirando emoções confusas e paixões incontidas, faz com que reconheça a falácia dessa crença. Os elementos míticos da obra oferecem um contexto para a descrição da homossexualidade. Escrito com sutileza e profundidade psicológica, Morte em Veneza é um relato vivo sobre a paixão.
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