A vereadora de Campinas Guida Calixto (PT) denunciou na tribuna, durante a sessão da última quarta-feira, 18 de março, na Câmara Municipal, que ela e sua equipe vêm sendo alvo de ataques misóginos por um grupo de bolsonaristas. Após a sessão, ela registrou boletim de ocorrência na 2ª Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher de Campinas.
Em vídeo divulgado na internet por Miquéias Pereira, que se identifica como “formador de opinião” em seu perfil no Instagram, ele aparece abrindo a porta do gabinete da vereadora e se dirigindo a uma pessoa não identificada, ameaçando expor seu rosto em uma próxima publicação. No mesmo vídeo, além de Miquéias, aparecem logotipos com os nomes de Gerick Brenelli e Israel Junior. “Invadiram meu gabinete, agrediram a minha assessora, chegando com celular, filmando, constrangendo e humilhando as mulheres”, afirmou Guida em discurso na tribuna da Câmara.
A vereadora afirma que o assédio, as ameaças e as perseguições tiveram início após ter protocolado um projeto de lei sobre o pacto municipal de enfrentamento ao feminicídio. Ela também relata que duas assessoras, que estavam em uma praça divulgando material informativo, foram abordadas por um “grupo de red pill”, que teria ainda vandalizado propaganda em defesa dos direitos das mulheres.
Responsabilização
Guida informou que encaminhou à Presidência da Câmara um pedido de informações sobre os responsáveis pelo assédio, incluindo a possível ligação do grupo com gabinetes do Legislativo. “Essas gangues bolsonaristas não operam de forma isolada. Nesta Casa, temos vereadores que acobertam esse tipo de prática”, afirmou.
Ela citou o vereador Benê Lima (PL), que, segundo ela, “abre seu gabinete para que esses homens entrem aqui dentro e façam essas ameaças”. Também mencionou o vereador Nelson Hossri (PSD), afirmando que ele teria histórico de perseguição a vereadoras da bancada de esquerda. Guida citou ainda o vereador Vini Oliveira (Cidadania), lembrando que, no dia 9 de março, um dia após o Dia Internacional de Luta das Mulheres, ele fez um discurso com teor misógino contra parlamentares de esquerda.
Em apoio a Guida, a vereadora Mariana Conti (PSOL) pediu, durante a sessão, que seja proibida a entrada do grupo no Legislativo, que seus integrantes sejam identificados e responsabilizados, e que seu histórico seja apurado. “Que sejam responsabilizados pela violência política de gênero, assim como os vereadores que estão incentivando e acobertando esse grupo criminoso”, afirmou. “Os vereadores têm que ter responsabilidade com quem se relacionam, porque tem vereador que está alimentando e dando legitimidade. Esses vereadores são corresponsáveis.”
Combate ao feminicídio
O Projeto de Lei 70/2026, apresentado por Guida Calixto no início de março, institui o Sistema Municipal de Combate ao Feminicídio, com a criação de políticas públicas permanentes, integradas e intersetoriais de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres.
Entre as medidas propostas, estão a adoção de protocolos integrados de atendimento, a definição de fluxos intersetoriais obrigatórios, a avaliação padronizada de risco, o acompanhamento continuado das vítimas, a publicação anual de relatórios e a criação de um Conselho Gestor com participação da sociedade civil. Um abaixo-assinado de apoio ao projeto foi lançado pela vereadora e pode ser acessado online pelo link.
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