Inspirado nas aventuras dos Klink, ‘Azimute’ leva a mergulho interior e travessias

(foto joão maria – divulgação)

Inspirado nas viagens oceânicas solitárias realizadas por Amyr e Tamara Klink, o espetáculo “Azimute” é a atração deste sábado, 24 de janeiro, na Campanha de Popularização do Teatro de Campinas 2026, com apresentação no Teatro Castro Mendes, às 20h.

A montagem, dirigida por Lara Duarte e realizada pela Cia. Fresquinha, nasceu do processo de conclusão do curso de graduação em Artes Cênicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e toma os diários de bordo dos navegadores, pai e filha, como ponto de partida para refletir sobre deslocamentos que vão além do mar.

A partir da leitura das obras “Cem Dias entre Céu e Mar” e “Mil Milhas”, o grupo constrói uma dramaturgia que aproxima essas narrativas de experiências pessoais, propondo paralelos entre viagem, formação artística e os processos de transformação que atravessam a vida cotidiana.

A encenação adota uma linguagem lúdica e documental ao mesmo tempo. O espetáculo assume a forma de uma palestra-performance, que se apresenta inicialmente como um seminário racional e bibliográfico sobre as expedições dos Klink, mas que, ao longo de cerca de 90 minutos, se fragmenta, se contradiz e abre espaço para o sensível, o poético e o inexplicável.

A cenografia e os figurinos remetem à ideia de travessia e sobrevivência. Os figurinos são pensados como kits de sobrevivência, criados a partir da pergunta sobre quais elementos cada pessoa considera essenciais para enfrentar seus próprios percursos. Já o cenário, composto por materiais recicláveis, acumula objetos diversos até formar um mar de sucata, imagem que evoca tanto o caos das jornadas individuais quanto o colapso ambiental contemporâneo e a crescente poluição dos oceanos.

A pesquisa do grupo também lança um olhar crítico sobre a travessia atlântica enquanto construção histórica. Ao destacar a cidade de Lüderitz, na Namíbia, como ponto de partida simbólico, o espetáculo evidencia as conexões entre as rotas atuais e os caminhos traçados pelo colonialismo europeu, ampliando o debate para questões políticas, territoriais e narrativas silenciadas.

Com trilha executada ao vivo por uma banda formada por estudantes do curso de Música da Unicamp, “Azimute” costura teatro, som e reflexão crítica para discutir temas como relações familiares, gênero, o direito à narrativa e a formação de hegemonias, convidando o público a pensar sobre orientação, escolhas e os sentidos possíveis das travessias – individuais e coletivas – que moldam a experiência de estar no mundo. (Com informações de divulgação)

Serviço

Data: 24 de janeiro de 2026 (sábado)
Horário: 20h
Local: Teatro Castro Mendes
Endereço: Rua Conselheiro Gomide, 62, Vila Industrial, Campinas-SP
Ingressos: R$ 10,00 e R$ 20,00, pela plataforma Sympla

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