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Núcleo Filhas da Dita entrelaça força ancestral de orixás femininas com a construção do bairro Cidade Tiradentes

Em São Paulo – O Núcleo Teatral Filhas da Dita apresenta o espetáculo Canto das Ditas – Fragmentos Afrografados de Cidade Tiradentes no Sesc Bom Retiro, nos dias 1º e 2 de abril, sexta e sábado, às 20h. Com direção e dramaturgia de Antonia Mattos, a montagem entrelaça a força ancestral de orixás femininas com a construção do bairro Cidade Tiradentes por mulheres negras.

Canto das Ditas (Foto: Daisy Serena)

As sessões integram a mostra Cidade para Pessoas que faz parte do projeto Isto Não é um Mapa, realizado pelo Sesc Bom Retiro, desde 2020, e traz dessa vez uma série de cartografias afetivas, poéticas, sociais e micropolíticas em múltiplas linguagens, que exploram e refletem sobre os diferentes desdobramentos temáticos relacionados à discussão sobre cidade. Com um olhar atento para a diversidade de raça, de gênero, e também territorial, o projeto busca conectar o público com diferentes espaços da cidade, seja na integração mais direta entre centro e periferias, ou na concepção mais ampla e abstrata, ao propor uma troca múltipla entre as pessoas e suas subjetividades e como elas também não apenas se relacionam, mas constituem esses espaços.

Para refletir sobre como a África se manifesta no dia a dia das moradoras de Cidade Tiradentes, o Núcleo Teatral Filhas da Dita encarou o desafio de ‘afrografar’ o bairro – referência ao termo ‘afrografias’ da poeta e ensaísta Dra. Leda Maria Martins, que coloca em evidência e consciência a nossa herança africana. O trabalho do Núcleo Filhas da Dita mapeou esse legado ancestral por vários ângulos: ao próprio redor, junto a parentes, pessoas próximas, e até mulheres desconhecidas que caminham pelo bairro.

A partir da investigação proposta, Canto das Ditas coloca em cena histórias de mulheres pretas de Cidade Tiradentes que se entrecruzam com histórias de Yabás (orixás femininas). A montagem busca o reflexo das histórias do cotidiano em um espelho ‘mítico’ das personagens sagradas. A diretora Antonia Mattos explica que os depoimentos colhidos pelo grupo aparecem no texto e na dramaturgia de forma não linear e fragmentada. “A narrativa é espiralada, pois procura se relacionar com um tempo mítico, da memória e da ancestralidade. As personagens reais correspondem, de forma arquetípica, às personagens míticas. Recorremos ao ‘espírito ancestral feminino’, às ‘grandes mães da humanidade’, às yabás para contar e cantar as histórias dessas mulheres, as Ditas, que fundaram Cidade Tiradentes”.

As atrizes que interpretam as quatro mulheres – Bendita/Nanã, Marta/Iemanjá Maria/Iansã, e Joana Nega Su/Obá – são Ellen Rio Branco, Lua Lucas, Luara Sanches e Thábata Letícia, respectivamente. Segundo Antonia, “a poética cênica é atravessada por elementos e saberes ancestrais, dentro de um tempo/espaço espiralado que aponta para as reminiscências de um passado sagrado, buscando fortalecer o presente e deslumbrar o futuro”. A origem da humanidade na África e a fundação de Cidade Tiradentes são contadas simultaneamente: o passado sagrado se revela no presente e no passado recente.

A origem do bairro passa pela força dessas mulheres negras que ali chegaram, se instalaram e fizeram a história local. E são delas as histórias contadas na encenação Canto das Ditas – Fragmentos Afrografados de Cidade Tiradentes, onde a música tem papel fundamental, trazendo a voz e o canto dessas mulheres em um cenário lúdico que se estabelece entre o ritual e o urbano contemporâneo. “Tempos e lugares diferentes mostram que, apesar de toda a repressão sofrida, as mulheres sempre se reuniram em grupos para buscar alternativas, para desafiar o sistema patriarcal e mudar sua condição, seja na sociedade secreta africana de Eleko, seja na Casa Anastácia (Centro de Defesa e Convivência da Mulher) em Cidade Tiradentes”, reflete Antonia Mattos.

FICHA TÉCNICA – Direção e dramaturgia: Antonia Mattos. Elenco: Ellen Rio Branco, Lua Lucas, Luara Sanches, Thábata Letícia e Cláudio Pavão. Direção musical: Jonathan Silva. Concepção de luz: Antonia Mattos e Fernando Alves. Cenário e figurino: Eliseu Weide. Contrarregra: Gley Santos. Assessoria de Imprensa: Verbena Comunicação. Produção: Dandara Kuntê. Idealização: Núcleo Teatral Filhas da Dita.  Estreou: 12/07/2019. Realização: Sesc.

O Núcleo Teatral Filhas da Dita nasceu no Centro Cultural Arte em Construção, em 2007, e vem mantendo um processo contínuo de criação artística.  Em seu repertório estão os espetáculos: Sonho de Tatiane – uma Poética sobre Juventudes (2017), A Guerra (2013), Os Tronconenses (2007) e Canto das Ditas – Fragmentos Afrografados de Cidade Tiradentes (2019). Em 2015, brotou a faísca de um desejo: a construção do fazer artístico novo, mas que mantivesse a memória progenitora. “Afinal, se somos Filhas, nossas mães têm cara, voz e corpo nos nossos processos. Dessa constatação, nasce um estudo aprofundado sobre a feminilidade e suas subjetividades com recorte de raça/etnia”, relatam os integrantes do grupo. Com a realização de Fragmentos Afrografados de Cidade Tiradentes, buscam visibilizar narrativas que sempre foram e ainda são negligenciadas. Em mais de 20 anos de trabalho é evidente o aprofundamento de uma prática artística com e no território, além da articulação em rede com outros coletivos periféricos.

Espetáculo: Canto das Ditas – Fragmentos Afrografados de Cidade Tiradentes

Com Núcleo Teatral Filhas da Dita

Datas: 01 e 02 de abril. Sexta e sábado, às 20h

Local: Teatro (291 lugares)

Gênero: Drama. Duração: 70 min. Classificação: 14 anos.

Ingressos: R$ 40,00 (inteira). R$ 20,00 (meia). R$ 20,00 (comerciário).

Apresentar comprovante de vacinação contra a covid-19 e documento com foto.

Sesc Bom Retiro

Alameda Nothmann, 185 – Campos Elíseos. São Paulo/SP.

Telefone: (11) 3332-3600

www.sescsp.org.br/bomretiro | Nas redes: @sescbomretiro

Estacionamento: R$ 7,50 (Credencial Plena) e 15,00 (outros)

Transporte: o Sesc oferece transporte gratuito (van) entre a Estação Luz (saída CPTM/José Paulino) e o Sesc Bom Retiro. Ida: Sextas e sábados, a partir das 17h30; domingos e feriados, a partir das 16h. Volta: sextas e sábados, até 23h45; domingos e feriados, até 21h.

(Carta Campinas com informações de divulgação)

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