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Livro relata perseguições do governo Bolsonaro e apoiadores contra artistas e produções culturais

O livro Bolsonarismo e Arte – notas sobre um cotidiano autoritário, de Alex Frechette, que é uma reunião de artigos escritos entre 2020 e 2021 em variadas revistas e sites, relata as inúmeras perseguições do atual governo Bolsonaro e seus seguidores de extrema-direita contra artistas e suas produções artísticas.

(foto divulgação)

Em 2017 o banco Santander, em Porto Alegre, encerrou a mostra de arte Queermuseu – cartografias da diferença, que abordava questões de gênero e de diversidade sexual, por pressão de grupos conservadores. Logo em seguida o ataque foi à performance La bête, de Wagner Schwartz, onde o artista, acusado de ato pedófilo em sua apresentação, registrou contra si um total de 150 ameaças de morte, e chegou a ter de depor na CPI dos Maus-Tratos. 

Estes episódios, explorados por políticos à procura de visibilidade, foram icônicos para o início da guerra cultural sustentada pelo bolsonarismo. A tentativa de extinção do Ministério da Cultura pelo governo de Michel Temer se consolidou com Bolsonaro. Muitas eleitores foram convencidos de que os problemas do Brasil não passavam pela extrema desigualdade, pela pobreza, pelo desemprego, pela perda de direitos sociais e por uma elite política afundada em denúncias de corrupção. 

Os artistas passaram a ser os inimigos que usufruíam de dinheiro público para atos transgressores da moral. Portanto, o discurso de ódio parecia ser perfeitamente direcionável a estas figuras.

A mentalidade moralista, numa ânsia por padrões e fiscalizações, encontrou naqueles que não respondem a estes controles o alvo preferencial. O apoio público à cultura seria, então, uma maneira de sustentar um pensamento de esquerda degenerador. A batalha ideológica – a censura, os ataques e perseguições a artistas, somados à falta de incentivos fiscais para as artes – estaria, portanto, plenamente justificada. 

Justificado também estaria o episódio do ataque a bomba à produtora Porta dos Fundos, por conta de um especial de Natal no qual é sugerido que Jesus Cristo seria homossexual, o que revoltou setores conservadores. Outro caso foi o Festival de Jazz do Capão, na Chapada Diamantina, que, por ser denominado por seus organizadores como festival antifascista, foi impedido de captar recursos. Já o Facada Fest, festival punk do Pará, foi investigado por conta de um cartaz em que o palhaço bozo aparece empalado.

Como esquecer então o antigo secretário especial de cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim, que numa transmissão de um vídeo institucional, com o cabelo colado a cabeça, tendo ao fundo uma ópera de Wagner, compositor preferido dos nazistas, citou trechos de uma fala do ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels?

Os episódios são muitos e têm como marca totalitária a recusa das pluralidades de pensamento, principalmente no campo da cultura. (Com informações de divulgação)

O livro está disponível em formato e-book no site amazon.com.br.

Alex Frechette é doutorando em artes pela UERJ e artista plástico, e seu trabalho procura discussões sobre história, memória, ativismos e processos poéticos contra-hegemônicos brasileiros.

Carta Campinas

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