.Por Susiana Drapeau.

A leitura de Ciro Gomes é de que Bolsonaro está acabado. Então, sua estratégia é tentar a todo custo fazer com ele domine o debate polarizando com o PT, que será novamente uma grande força política e de base sólida nas próximas eleições. O candidato do PT, mesmo que não seja Lula, deve estar no segundo turno. Já Bolsonaro é algo imprevisível e pode até nem concorrer à Presidência se continuar sendo vaiado por onde passa. Esse parece ser o entendimento da equipe de Ciro Gomes.

(foto de tela e gov ce -ipece)

Apesar de Lula não responder e tentar evitar atrito com Ciro, a militância faz esse papel e polariza com Ciro Gomes. Com isso, a estratégia de Ciro de provocação e agressão (como no caso da Dilma recentemente) consegue um certo êxito nas redes sociais.

O problema de Ciro é que, para chamar atenção, tenha que sair da crítica política e ir para a agressão pessoal que é a mesma estratégia dos fascistas, ainda que os fascistas prefiram fazer isso anonimamente e de forma coordenada.

Ciro nunca foi do PT, mas foi um grande aliado e integrante do Governo Lula. No Ceará, a parceira PT e PDT/Gomes é sólida há vários anos.

Ao apostar na tática que elegeu Bolsonaro, de provocar irritação e indignação, Ciro Gomes corre o grande risco de sofrer do paradoxo de Heloísa Helena. E perder seu capital político.

Na eleição do primeiro governo Lula, Heloísa Helena já era senadora da República por Alagoas com a maior votação daquela eleição. Era um dos nomes mais expressivos e famosos nacionalmente dentro do PT, com uma carreira política em ascensão.

Os primeiros anos do governo Lula foram desanimadores, principalmente com Palocci na Fazenda. Heloísa Helena discordou de políticas conciliadoras e conservadoras implantadas pelo PT. Já em 2003 foi expulsa da legenda por atuar e votar contra o próprio partido.

Não era só Heloísa Helena que estava descontente como os rumos do governo petista, uma parte do partido saiu e fundou o PSOL para tentar manter certa afinidade com as origens ideológicas. Heloisa Helena foi uma das fundadoras do PSOL.

Mas o que se pode chamar de paradoxo de Heloísa Helena é um certo excesso de agressividade e intensidade política com rancor pessoal. De petista e figura proeminente do partido no Brasil, Heloísa Helena passou a fazer duras críticas e atuar ferozmente contra seus antigos aliados. Entrou em um vale-tudo contra o PT e Lula, ainda como senadora da República. A questão pessoal parece ter sobrepujado a visão política. E ela passou a se aliar a quem ela combatia.

De tanto atacar seu ex-partido por fazer na prática políticas de partidos de direita, Heloisa Helena se aliou aos mais reacionários e conservadores partidos de direita na época. Em uma foto, que ficou famosa, ela aparece comemorando ao lado dos senadores que já naquela época representavam o ódio ao PT e a manutenção dos privilégios das classes privilegiadas com fome e miséria para a população.

A exceção dos candidatos fascistas, o rancor tende a ser prejudicial na política, principalmente entre ex-aliados. Numa sociedade machista, Ciro tem mais vantagem do que Heloisa Helena para se manter no páreo. Mas não deixa de ser um grande risco apostar no rancor contra a razão.

A relação de Ciro Gomes com o PT se acabou e nos próximos anos não haverá aproximação. Isso é um prato cheio para o fascismo, mas isso é outra história A cozinha venenosa nos ensina – Link.