‘O que é raiz e não vértice’ reúne obras de Anna Maria Maiolino, José Rufino, Manoel Veiga e Mira Schendel

Em São Paulo – Fica em cartaz até o dia 23 de janeiro de 2021, na Galeria Base, em São Paulo, a exposição “O que é raiz e não vértice”, com obras dos artistas Anna Maria Maiolino, Bruno Rios, Frans Krajcberg, José Rufino, Lucas Länder, Luiz Martins, Manoel Veiga, Marco Ribeiro, Mira Schendel e Véio, e curadoria de Paulo Azeco.

“O que é raiz e não vértice. 

(Imagem: Divulgação)

Certa vez, José Rufino, artista que participa desta exposição, falava com um curador sobre o porquê do uso de cores escuras em suas obras, sendo ele um artista brasileiro, que morava no Nordeste, uma região inundada de luz quase que o ano todo. Não saberei reproduzir aqui com exatidão o diálogo, mas ele disse que quanto mais intensa a luz que incide sobre um objeto, mais escura sua sombra. Uma paisagem ensolarada é um lugar de contrastes entre claros e escuros.

É bonita essa imagem de contraponto, num país marcado pelos clichês barrocos, praianos, carnavalescos. Essa alegria que reverbera como principal produto de exportação brasileiro encontra agora um momento de confronto. Vivemos numa das maiores desigualdades sociais do mundo e pesquisas indicam São Paulo como uma das cidades que mais desenvolvem transtornos psíquicos em seus cidadãos.

Por isso acho tão pertinente, artistas jovens, como Bruno Rios, terem em sua pesquisa o uso constante do preto. E se vale uma opinião pessoal, não considero o preto como cor triste, tal qual historicamente é tratada. Prefiro me apegar a sofisticação do monocromatismo, e principalmente nesta exposição, interessa essa economia cromática que foge do arquétipo geométrico do minimalismo americano dos anos 1960.

Apresentamos aqui um recorte da arte contemporânea brasileira que em sua essência transcende o uso de cor. Desde as hoje aclamadas monotipias de Mira Schendel, o lirismo do trabalho de Anna Maria Maiolino até o poder expressivo das esculturas de Véio, a força se mostra por outros meios. Lucas Lander, outro artista jovem dessa exposição, investiga o uso do carvão em construções ora figurativas, ora abstratas que extrapolam vigor. Assim como Marco Ribeiro, que apresenta trabalhos que tendem a emular carimbos cartográficos imaginários em nanquim.

Nesse desafio do microcosmo criativo de um país que se pauta pelo que lhe é avesso , e que é potente enquanto raiz e não vértice, é feliz poder trazer ao conjunto, uma obra de Frans Krajcberg. Artista de origem polonesa mas radicado no Brasil, trouxe a partir de sua biografia a mais pulsante resposta para sua obra, sua preocupação ecológica constante se traduziu em formas robustas e sofisticadas, hoje consagradas no mundo todo. 

Ressalto o trabalho de Luiz Martins que talvez represente o cerne da exposição. Suas formas são baseadas em representações rupestres e faz uso do pigmento preto, de tal forma e profundidade, que produz cicatrizes ou marcas que remetem a sua ancestralidade indígena. Em oposição, a produção de Manoel Veiga aqui apresentada, parte da abstração da clássica pintura europeia do mestre Caravaggio, onde a partir da manipulação da imagem busca a força máxima da pesquisa do artista: o confronto entre o claro e o escuro. 

Pierre Soulages, um dos artistas que mais se vale dos tons escuros e de uma paleta reduzida durante toda sua carreira, diz que sempre pensou que quanto mais limitados são os meios de expressão que ele dispõe melhores são os resultados. E é exatamente disso que essa exposição busca tratar”, anota o curador Paulo Azeco.

“O QUE É RAIZ E NÃO VÉRTICE”

Artistas: Anna Maria Maiolino, Bruno Rios, Frans Krajcberg, José Rufino, Lucas Länder, Luiz Martins, Manoel Veiga, Marco Ribeiro, Mira Schendel e Véio.

Curadoria: Paulo Azeco

Coordenação: Daniel Maranhão e Leonardo Servolo

Período: 01 de dezembro a 23 de janeiro de 2021

De terça a sexta, das 11 às 19h. Sábados, das 11 às 15h

Local: Galeria Base

Endereço: Alameda Franca, 1030 | Jardim Paulista São Paulo | SP

Telefone: (11) 3062-6230

Horários: Terça a sexta-feira, das 11 às 19h

Sábados das 11 às 15h

(Carta Campinas com informações de divulgação)

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