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Pesquisa brasileira extrai ácido com propriedades medicinais da casca do caju

Pesquisadores do Laboratório Multiusuário de Química de Produtos Naturais da Embrapa Agroindústria Tropical (CE) desenvolveram um processo para extrair, purificar e quantificar os ácidos anacárdicos da casca da castanha de caju, o que abre espaço para o surgimento de uma nova rota de exploração comercial na cajucultura.

(fotos veronica freire embrapa e mica hernandez pl)

Cerca de 65% da composição do líquido da casca de castanha de caju é formada por ácidos anacárdicos, uma classe de substâncias com atividade antioxidante e antimicrobiana e alguns estudos mostram potencial de ação antitumoral e antiparasitária.

Nas grandes indústrias de beneficiamento de castanha de caju, a alta temperatura empregada no processamento degrada os ácidos da casca. Nas pequenas fábricas, embora não ocorra a degradação durante o processamento, as cascas, que correspondem a 70% do peso da castanha, quando não são descartadas, acabam alimentando fornalhas.

O método de quantificação e de isolamento desenvolvido na Embrapa é o primeiro passo para o aproveitamento dos ácidos anacárdicos, que atualmente não estão disponíveis no mercado. O pesquisador da Embrapa Edy Brito diz que, embora a atividade biológica dos ácidos anacárdicos seja conhecida desde a década de 1940, a fonte mais abundante dessas substâncias é desperdiçada.

Os primeiros registros na literatura científica relacionados a ácidos anacárdicos evidenciaram a atividade antimicrobiana desses compostos. “Hoje em dia há trabalhos avaliando a citotoxicidade e a utilização no combate a células cancerígenas”, diz o pesquisador Edy Brito. De acordo com ele, já existe patente para uso no controle de coccidiose em animais domésticos.

Desde 2016 está em estudo, em parceria com a Embrapa Caprinos e Ovinos (CE), a atividade antiparasitária dos ácidos anacárdicos em caprinos e ovinos. Outra linha de estudos desenvolvida pela Universidade Federal do Ceará (UFC) avalia a utilização dos ácidos como aditivos antioxidantes para produtos alimentícios, principalmente em sistemas que apresentam gordura. Uma possível aplicação é o uso como aditivo em rações. (Carta Campinas com informações de divulgação)

Carta Campinas

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