Mostra ‘Chichico Alkmim, fotógrafo’ destaca vida musical, rostos e paisagens de Diamantina

Em São Paulo – A exposição “Chichico Alkmim, fotógrafo”, com curadoria de Eucanaã Ferraz, poeta e consultor de literatura do IMS, apresenta imagens de Diamantina e arredores, produzidas pelo fotógrafo mineiro na primeira metade do século XX. A mostra, que em 2017 passou pelo IMS Rio, ficará em cartaz na Galeria 3 do IMS Paulista até o dia 15 de abril de 2018.

Francisco Augusto Alkmim (1886-1978) estabeleceu-se em Diamantina depois de viajar por Minas Gerais vendendo joias com o pai. Ao chegar, encontrou uma cidade que já se distanciava dos dias de glória do período da farta exploração de diamantes. Chichico registrou as mudanças nesse universo, que flutuava entre a modernização e a tradição, fotografando a paisagem e seus habitantes. Sua atividade chegou até meados dos anos 1950.

Ao contrário de muitos fotógrafos com estúdios pelo interior do Brasil nesse período, Chichico nunca se limitou a retratar apenas a burguesia diamantinense. Teve como frequentadores de seu estúdio os trabalhadores ligados ao pequeno garimpo, ao comércio e à indústria e também fotografou casamentos, batizados, funerais, festas populares e religiosas, paisagens e cenas de rua.

Segundo Eucanaã Ferraz, no texto que abre o catálogo da exposição, “Chichico é daqueles fotógrafos que parecem ter o poder de fazer vir ao primeiro plano a vida de seus modelos. E é patente a densidade existencial que se expressa no conjunto de características físicas que chamamos fisionomia, compreendida como a realização momentânea de um destino”.

A exposição sintetiza em ordem cronológica as fases do trabalho do fotógrafo, apresentadas em salas ambientadas. Além das fotografias, será possível consultar mais de uma centena de negativos de vidro iluminados, formando uma espécie de vitral, bem como objetos originais do laboratório de Chichico e uma máquina de fole semelhante à utilizada pelo fotógrafo.

A intensa vida musical – um dos traços mais marcantes de Diamantina, e também registrado pelo fotógrafo – terá destaque na mostra. Como escreveu Carlos Drummond de Andrade, “entre outras excelências, povo de Diamantina é povo que canta, e isto significa riqueza de coração”. Em Chichico Alkmim, fotógrafo, serão expostos cinco discos 78 rpm, com as obras de Ernesto Nazareth e de Catulo da Paixão Cearense, além dos registros de seresteiros, grupos de jazz, estudantes de música, bandas escolares e militares fotografados por Chichico.

A obra de Chichico Alkmim é composta por mais de cinco mil negativos em vidro e algumas dezenas de fotografias originais de época. Desde 2015, seu acervo está depositado em comodato no Instituto Moreira Salles.

Mais informações no SITE do IMS Paulista. (Carta Campinas com informações de divulgação)

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