São muitas as solidões que passam apressadas pelo metrô de Paris,
mas há sobretudo artistas.
Os labirintos são um emaranhado de sons,
orquestras quase inteiras, alguém sozinho.
O homem que toca todos os dias a mesma música,
os homens que cantam em uma língua que não se decifra
e cantam, tocam, em troca de moeda, sim, mas
também pelo palco, pelo público, pela multidão da qual,
por vezes, conseguem arrancar a atenção do olhar apressado ou emocionado.
Há também homens sem instrumento, com cartazes onde se lê “tenho fome”
parados no meio do fluxo ininterrupto
ou sem cartazes, ou sem nada, nem voz.
Há os que dormem pelas estações do metrô
ficam lá por dias e parece que não se mexem,
às vezes não se sabe se ainda estão vivos.
Dentro dos vagões, há calma e pressa,
às vezes um clarão, às vezes um rato
há a mulher que percorre com os olhos os corredores da Salpêtrière,
há as mulheres em delírio, em abandono
há as mulheres que não olham para nada,
alguns namorados, muitos pés.
De vez em quando um som interrompe
a grande máquina dos deslocamentos sem fim
dizendo que o transporte está lento porque algum viajante se jogou
na plataforma.
(Maura V.)
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