Quase 80% das mulheres brasileiras já receberam cantadas ofensivas

79% das jovens brasileiras já foram assediadas, receberam cantadas ofensivas, violentas e desrespeitosas ou foram abordadas de maneira agressiva em festas ou em locais públicos, informa pesquisa. O estudo, realizado em 2014 com 2.000 mulheres e homens de 16 a 24 anos, nas cinco regiões do país, também revela que 44% das entrevistadas já foram assediadas ou tiveram o corpo tocado por um homem sem consentimento em festas. Além disso, 30% alegaram já terem sido beijadas à força.

A pesquisa também mostra que a maioria dos entrevistados ainda possuem uma mentalidade machista, já que consideram erradas diversas atitudes que podem tomadas por homens. “Para 80% dos entrevistados, uma mulher ficar bêbada em uma festa é considerada uma atitude incorreta. Já para 68%, é errado que ela tenha relações sexuais no primeiro encontro”, disse Cipriani.

Outro dado preocupante que a pesquisa revela é que 58% dos jovens que já transaram não usam preservativo em todas as relações sexuais e 37% das mulheres já deixaram de usar camisinha por insistência do parceiro. A pesquisa realizada pelo Instituto Avon, em parceria com o instituto de pesquisa Data Popular, sobre o relacionamento entre os jovens e a violência doméstica (Violência contra as mulheres: os jovens estão ligados?),

Para o presidente do instituto de pesquisa Data Popular, Renato Meirelles, chama a atenção o fato de que esses jovens têm amplo acesso à informação, já que praticamente todos conhecem a camisinha como método contraceptivo. “Mesmo assim, esses jovens assumem comportamentos de risco: só 4 em cada 10 jovens com vida sexual ativa usam preservativo em todas as suas relações. Isso mostra que só a informação não resolve, é preciso criar estratégias para contextualizar o uso da camisinha ao dia a dia desses jovens.O lado positivo é que a maioria considera correto que mulheres (88%) e sobretudo homens (91%) carreguem preservativo no bolso”, disse Meirelles.

Para o diretor executivo do Instituto Avon, Lírio Cipriani, os números reforçam que é preciso avançar nas discussões sobre gênero, principalmente no período do Carnaval, quando essas atitudes são frequentes. “É alarmante saber que grande parte das mulheres brasileiras já foram ou serão, de alguma forma, assediadas ou desrespeitadas. Este cenário precisa mudar e, para tanto, é preciso promover uma mudança cultural sobre o papel de cada um no enfrentamento a violência com a mulher e sensibilizar a população para importância da convivência pacífica e respeitosa entre homens e mulheres”, disse. (Carta Campinas com informações de divulgação)

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