Reforma Política do PMDB mantém ‘corrupção legalizada’ e afasta eleitor

Para que melhorar, se podemos piorar

O PMDB apresentou hoje (17) um conjunto de propostas do partido para a reforma política que pode ser considerado a pior proposta até o momento. Ela mantém o sistema que deturpa todo o processo eleitoral, que é a ‘corrupção legalizada’ pelo financiamento eleitoral de empresas, e vai mais além: aumenta o mandato de deputados e senadores, aumentando ainda mais o distanciamento entre o eleitor e o parlamentar. E para completar, coloca o distritão, que permite que partidos com menos votos consigam ter mais parlamentares. É o pior dos mundos.

As propostas foram elaboradas pela Fundação Ulysses Guimarães – instituição de pesquisas e estudos do PMDB – e entregues pelo presidente da entidade, Moreira Franco, ao presidente nacional do partido e vice-presidente da República, Michel Temer. O documento, de oito páginas, também sugere a adoção do voto distrital puro, o chamado distritão, com a eleição dos candidatos com mais votos; o fim das coligações nas eleições proporcionais; mandatos de cinco anos para deputados, vereadores e chefes do Executivo (federal, estadual e municipal) e de dez anos para senadores.

Ao receber o documento, Temer disse que o Congresso Nacional é o “senhor absoluto” da reforma política e que acredita na votação do assunto ainda este ano. “Temos a obrigação de não falhar neste momento, precisamente no instante em que o PMDB ocupa a presidência do Senado e da Câmara. O país confia muito que agora a reforma política vai.”

O próximo passo, segundo Moreira Franco, será o começo da negociação com outros partidos no Congresso para levar as propostas adiante. “[A reforma política] passa a ser um fato a partir das articulações que Temer fará para, junto das lideranças da Câmara e do Senado, encaminhar as propostas que estamos fazendo”, disse.

Moreira Franco disse que a manutenção do financiamento privado de campanha com limitação para que cada empresa opte por apenas um candidato por cargo vai dar transparência à doação. “A contribuição terá de ser feita ao partido para esse candidato, e será fixado um teto para a contribuição tanto para empresa, quanto para o cidadão, para que o sistema tenha transparência absoluta.”

A proposta peemedebista de reforma política prevê ainda o fim da reeleição, com extensão dos mandatos de quatro para cinco anos. O período de transição já começaria nas eleições municipais de 2016, para que em 2022 todos os cargos sejam disputados ao mesmo tempo”.

O PMDB defende também a chamada cláusula de desempenho, que impede o funcionamento parlamentar de partido que não alcançar 5% dos votos em pelo menos um terço dos estados. A medida chegou a ser aprovada em 1995, mas foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que a considerou prejudicial aos pequenos partidos. (Agência Brasil / Edição Carta Campinas)

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