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Embrapa terá banco capaz de armazenar 700 mil sementes em câmara fria

A década de 1970 é reconhecida como o período em que a agricultura em larga escala se intensificou no Brasil.

Câmara fria conserva sementes por 100 anos
Com o desenvolvimento da atividade, já pensando na manutenção do que seria produzido no país, a então recém-criada Embrapa inaugurou, em 1974, o Centro Nacional de Recursos Genéticos (Cenargen), que hoje tem em sua coleção de base cerca de 120 mil variedades de sementes de espécies vegetais.

O Cenargen, hoje identificado como Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, é responsável pelo backup do material que está armazenado em diversas unidades da Embrapa em todo país. Segundo a pesquisadora da empresa, Marília Burle, supervisora de Curadoria de Germoplasma (material genético) do Cenargen, a meta é conservar o maior número possível de espécies na forma de sementes.

Ela explica que a coleção de base de sementes é mantida a -20 graus Celsius (ºC), forma de conservação a longo prazo estabelecida mundialmente. “Na verdade, esse tipo de conservação não é tão antigo assim, os bancos têm modelos estimando o tempo, mas a ideia é que, para a maioria das culturas, se conserve por mais de 100 anos”, disse Marília, explicando que a germinação pode variar conforme a espécie – cereais, por exemplo, podem se conservar por mais tempo que as oleaginosas.

Além desse tipo de conservação, a Embrapa também utiliza a criopreservação, com nitrogênio líquido, e a conservação in vitro. “Nos tubinhos, em meio de cultura, a plântula cresce mais lentamente e a todo momento temos que replicar aquelas plantinhas, por isso nossa ênfase maior é em sementes”, explica Marília. A conservação in vitro é feita geralmente para culturas que não podem ser conservadas na forma de sementes, como mandioca e espécies florestais.

A coleção de base da Embrapa é armazenada em três câmaras frias, alimentadas com energia elétrica e dois geradores de segurança. Em abril, a empresa inaugura um novo prédio e um novo banco com capacidade para 700 mil amostras, que vai agrupar a coleção de sementes, a criopreservação e a conservação in vitro.

Apesar da estrutura disponibilizada, a Embrapa ainda não tem um levantamento sobre o custo para manter as coleções. “Temos nos preocupado e sido demandados para que isso seja feito. É uma questão levantada em âmbito mundial, já que muitos bancos não vão saber dizer o custo para manutenção das amostras: até que ponto é viável ficar colocando material nesses sistemas? É preciso fazer uma priorização, mostrar melhor a diversidade”, argumenta Marília.

A coleção de base da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, faz, prioritariamente, o trabalho de conservação do material dos bancos ativos de outras unidades da empresa. Não só plantas, como animais e microrganismos, como a Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas (MG); a Embrapa Caprinos e Ovinos, em Sobral (CE); e a Embrapa Florestas, em Colombo (PR).

Nesses bancos ativos é feito o trabalho em campo, de testar e pesquisar as propriedades, fazer o manejo dos recursos genéticos e também multiplicar as amostras, que serão enviadas para os bancos internacionais e para órgãos e empresas solicitantes.

Tudo o que a Embrapa produz ou desenvolve é público. “É uma regra no meio dos recursos genéticos, não se vende germoplasma. O interessado faz o pedido online, nós geramos um termo de transferência, de propriedade intelectual e enviamos, livre de custos”, explica Marília.

A pesquisadora conta que o Brasil é signatário do Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura (Tirfaa), da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que tem como um dos objetivos facilitar o acesso ao germoplasma mantido no país e importante para a alimentação e agricultura mundial.

O país também faz parte do Grupo Consultivo de Pesquisa Agrícola Internacional (Cgiar) e grande parte das coleções de germoplasma da Embrapa estão duplicadas nos centros internacionais do grupo. O Cgiar é uma parceria global que une organizações envolvidas na pesquisa para a segurança alimentar.

“Nossos bancos ativos estão sempre enviando material para esses centros. Ano passado, foi enviado milho para o Cimmyt, no México. E também recebemos uma coleção de feijão-fava do Ciat, na Colômbia”, conta Marília.(Agência Brasil)

Carta Campinas

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