O procurador Ângelo Goulart Vilela foi preso na manhã desta quinta-feira pela Polícia Federal (PF).

A prisão foi feita a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que também pediu a prisão preventiva do advogado Willer Tomaz.

O procurador Vilela pode ser visto em um vídeo cumprimentando “o estimado colega e amigo Deltan Dallagnol”, procurador da Lava Jato do Paraná. No vídeo, Vilela defende  as 10 medidas contra a corrupção propostas pelos procuradores da República do Paraná (Veja vídeo ao final do texto). O procurador Dallagnol também se posicionou arduamente contra o projeto de lei que pretende punir abusos e crimes de procuradores e juízes.

“As prisões preventivas foram por mim pedidas com o objetivo de interromper suas atividades ilícitas”, justifica-se Janot na mensagem ao MPF, alegando que a nova fase da Operação Lava Jato, deflagrada esta manhã, “tem um gosto amargo para o MPF”. Segundo o procurador-geral, os pedidos de prisões de Vilela e de Tomaz estão “embasados em robusta documentação, coletada por meio de ação controlada”.

Além da prisão de Vilela, Janot determinou sua imediata exoneração da função de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e revogou a participação do procurador na força-tarefa do caso Greenfield, que apura suspeitas de irregularidades em quatro dos maiores fundos de pensão do país.

A prisão de Vilela foi executada por agentes federais acompanhados por dois procuradores regionais da República. Policiais federais também apreenderam documentos em endereços ligados a Vilela – inclusive no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde Vilela trabalha.

“A responsabilidade criminal do procurador e dos demais suspeitos atingidos pela operação de hoje será demonstrada no curso do processo perante juízos competentes, asseguradas todas as garantias constitucionais e legais”, assegura Janot, confirmando que Vilela e Tomaz são investigados por tentativa de interferir nas investigações da Operação Greenfield e de atrapalhar o processo de negociação de acordo de colaboração premiada de Joesley Batista, dono do grupo JBS.

Nesta quarta-feira (17), o jornal O Globo noticiou que, em delação premiada, Joesley Batista gravou uma conversa em que o presidente da República, Michel Temer, sugere que fosse mantido o pagamento de uma “mesada” ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e ao doleiro Lúcio Funaro para que eles ficassem em silêncio sobre suspeitas investigadas pela Operação Lava Jato envolvendo integrantes do governo e políticos da base. O STF ainda não confirmou informações oficiais sobre a suposta delação do empresário, nem tornou público os supostos áudios.

A Agência Brasil entrou em contato com o escritório de advocacia de Willer Tomaz, que não se manifestou sobre o assunto. A reportagem não conseguiu contatar a defesa do pocurador Ângelo Goulart Vilela. (Carta Campinas e Agência Brasil)