Por João Neves

Os sons dos tambores vibram. Em diferentes rincões a resistência negra ressoa para convergir desejos capazes de criar um mundo diferente. Esse é o recado/convite do texto produzido pelo “Núcleo de Consciência Negra Teresa de Benguela-PUC Campinas”.

Entre os dias 30 e 31 de janeiro acontece, na cidade de Fortaleza-CE, o 1° Encontro de Jovens Cientistas Negros. O evento compõe a programação da ANPG (Associação Nacional de Pós Graduandos) na 10° Bienal da UNE e tem como objetivo principal discutir o papel do negro na ciência, a realidade dos cientistas negros, desde a graduação, e as formas de estímulo e democratização, tanto do acesso e permanência, quanto dos objetos científicos, para a presença de negros e negras cientistas na comunidade científica brasileira.

A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, aponta com atenção que “o evento, entre outras coisas, busca estreitar relações com os movimentos sociais que lutam por mais democratização e diversificação étnica no ensino superior além de promover debates com o movimento negro sobre os desafios de descolonização dos objetos científicos, através do combate às diversas formas de racismo institucionalizado presente vivamente na Academia”.

Segundo Gabriel Nascimento, secretário geral da ANPG, o encontro “contribuirá para o avanço no debate das pautas negras presentes na academia. As ações afirmativas na pós-graduação foram tema dos dois últimos congressos da ANPG e tivemos uma vitória saborosa, conseguindo que o MEC assinasse um decreto de ações afirmativas para negros na pós-graduação. Dito isso, um amplo debate será feito com a presença de organizações do movimento negro e também haverá no encontro o lançamento oficial da campanha #LugarDeNegroÉNaCiência, com a presença de jovens negras e negros que passaram a fazer ciência dos últimos dez anos. Gabriel também pontua que ”particularmente por ser o primeiro da minha família a entrar na universidade, no mestrado e doutorado, olho pra esse encontro como um grande retorno, de um diálogo em constante com os nossos antepassados”.

Para Fabrício de Moraes, do Núcleo de Consciência Negra Teresa de Benguela (PUC Campinas), o evento significa ainda “ possibilidades de avançar na discussão sobre os resultados e contradições desses últimos anos de produção cientifica e aprofundar a critica à hegemonia eurocentrista, racista e brancocêntrica da ciência, além de apontar estrategicamente caminhos para a construção de um conhecimento emancipatório que contrarie a lógica de dominação capitalista ocidental colonial/moderna.

Confira a programação:

I Encontro de Jovens Cientistas Negros

Dia 30
Mesa: O lugar do negro na 
ciência brasileira
Horário: 14h às 17h

Dia 31
MESA: É chegada a hora de ações 
afirmativas na pós-graduação
Horário: 9h às 12h

GT: O negro entre o mundo do 
trabalho e academia
Horário: 14h às 17h

GT: Os desafios dos cientistas negros: da iniciação cientifica à pós-graduação
Horário: 14h às 17h

GT: A produção de conhecimento 
sobre o negro na Academia 
e o e racismo institucional
Horário: 14h às 17h

TODAS AS ATIVIDADES DA ANPG ACONTECERÃO NO ESCOLA PORTO IRACEMA DAS ARTES

( Rua Dragão do Mar, 160 – Praia de Iracema, Fortaleza – Ceará) .